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A doença arterial periférica e o papel do diagnóstico precoce

A doença arterial periférica (DAP) é uma patologia crónica que apresenta vários sinais e sintomas, e múltiplos fatores de risco. De acordo com André Rainho Dias, especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF) da Unidade de Saúde Familiar (USF) de Santiago, uma boa abordagem a estes doentes, nomeadamente, a prevenção, vigilância e referenciação dos cuidados de Saúde Primários, podem fazer a diferença.

Segundo o especialista, existe uma relação íntima entre a DAP, a diabetes e a aterosclerose “uma vez que o utente diabético tem um elevado risco de desenvolver aterosclerose e, sabe-se que a aterosclerose é a principal causa para o surgimento e progressão da DAP”.

Anualmente ocorrem em Portugal entre 1.200 a 1.500 amputações de pés a pessoas com diabetes. Perante estes números, o especialista considera que tem de “haver um maior controlo dos utentes com diabetes e hipertensão, maior controlo da dislipidemia da população portuguesa, bem como uma maior aposta em políticas nacionais de saúde vocacionadas para o controlo do peso e para a cessação tabágica”. A nível clínico e na prática do dia a dia “é essencial a identificação mais precoce dos doentes que se encontram em risco de desenvolver DAP, por forma a conseguirmos evitar as amputações”, garante.

A avaliação regular do risco pode desempenhar um papel importante na medida em que facilita a “identificação precoce dos doentes que se encontram em risco de desenvolver DAP”. Nestes utentes “é necessário que seja feito uma avaliação regular de lesões a nível dos pés, úlceras dos membros inferiores, assim como a anamnese dirigida aos sintomas mais característicos da DAP”.

De acordo com André Rainho Dias, apesar de existirem muitos desafios no acompanhamento destes utentes, “desde logo é necessário que o utente perceba a importância da otimização dos estilos de vida e da adesão à terapêutica”. No seu entender, “é também importante que estes utentes mantenham o acompanhamento regular no seu médico de família e não abandonem as consultas de seguimento”. Isto porque, fruto da sua experiência, um dos principais problemas detetados “são utentes que após longos anos de ausência a consultas de vigilância surgem já com patologia muito avançada, em que já pouco temos a oferecer do ponto de vista preventivo”.

Nisto, o médico de família tem o papel “fundamental na gestão destes utentes, seja na sua prevenção, diagnóstico e tratamento. Em primeiro lugar, a promoção da literacia em saúde e de estilos de vida saudáveis é essencial para a diminuição da DAP. Por outro lado, a MGF ao promover o bom controlo dos fatores de risco cardiovasculares vai atuar tanto a nível de prevenção como no tratamento destas patologias”, salienta.

Como estratégias a adotar para promover o estilo de vida destes doentes, André Rainho Dias, refere que “além da terapêutica conservadora não farmacológica, já temos à nossa disposição estratégias terapêuticas inovadoras que comprovadamente diminuem o avanço da DAP e as consequentes amputações”.

 

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