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Associação entre menopausa precoce e risco aumentado de doenças cardiovasculares

Divulgado recentemente no European Heart Journal, um estudo que englobou mais de 1,4 milhão de mulheres mostrou que “a menopausa antes dos 40 anos de idade está associada a riscos elevados de insuficiência cardíaca e fibrilhação auricular”.

Tal como se pode ler no jornal oficial da European Society of Cardiology, este estudo incluiu 1.401.175 mulheres em contexto de pós-menopausa, com 30 ou mais anos de idade e que completaram o check-up de saúde do Korean National Health Insurance System (NHIS)em 2009. O follow-up destas mulheres para insuficiência cardíaca e fibrilhação auricular decorreu até ao final de 2018, tendo sido recolhidas informações sobre dados demográficos, comportamentos de saúde e fatores reprodutivos, incluindo idade na menopausa e uso de terapia de reposição hormonal (TRH). Relativamente à idade, as mulheres foram agrupadas em faixas etárias: abaixo de 40, de 40 a 44, de 45 a 49 e de 50 anos ou mais. A menopausa precoce foi definida como o período menstrual final antes dos 40 anos.

Segundo o autor do estudo, Ga Eun Nam, especialista da Korea University College of Medicine, “mulheres com menopausa precoce devem estar cientes de que podem ser mais propensas a desenvolver insuficiência cardíaca ou fibrilhação auricular”. “Isto pode servir como uma boa motivação para melhorarem os hábitos de vida conhecidos por estarem ligados a doenças cardiovasculares, como pararem de fumar e praticarem exercício”, completa o investigador.

Nesta análise, cerca de 28.111 (2%) mulheres tinham histórico de menopausa precoce, cuja idade média de ocorrência foi de 36,7 anos, e a idade média no início do estudo para mulheres com e sem história de menopausa precoce foi de 60 e 61,5 anos, respetivamente. Durante os cerca de nove anos de follow-up, 42.699 (3,0%) desenvolveram insuficiência cardíaca e 44.834 (3,2%) desenvolveram fibrilhação auricular. Mais concretamente, as mulheres com menopausa precoce tiveram um risco 33% maior de insuficiência cardíaca e 9% maior risco de fibrilhação auricular em comparação com aquelas que não tiveram menopausa precoce.

Para os autores do estudo, “vários fatores podem explicar as associações entre a idade da menopausa, a insuficiência cardíaca e a fibrilhação atrial, tais como a queda no nível de estrogénio e as alterações na distribuição da gordura corporal”.

De facto, sabe-se que a doença cardiovascular geralmente ocorre até 10 anos mais tarde nas mulheres do que nos homens (Maas AHEM et al. Eur Heart J. 2021) e crê-se que as mulheres na pré-menopausa beneficiem do efeito protetor do estrogénio no sistema cardiovascular. Por isso, a cessação da menstruação e o subsequente declínio dos níveis de estrogénio podem tornar as mulheres mais vulneráveis a doenças cardiovasculares.

“O equívoco de que a doença cardiovascular afeta principalmente os homens fez com que os fatores de risco específicos ao género fossem amplamente ignorados. Existem evidências de que passar pela menopausa antes dos 40 anos pode aumentar a probabilidade de doença cardiovascular mais tarde na vida. O nosso estudo indica que a história reprodutiva deve ser considerada rotineiramente, além dos fatores de risco tradicionais, como o tabagismo aquando da avaliação da probabilidade futura de insuficiência cardíaca e fibrilhação auricular”, afirma Ga Eun Nam.

Saiba mais sobre este estudo, aqui.

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