Sociedade Internacional de Hipertensão apela à medição exata da tensão arterial

Para assinalar o Dia Mundial da Hipertensão que se celebra a 17 de maio, a Sociedade Internacional de Hipertensão pela a todos para participarem na campanha subordinada ao tema “Measure Your Blood Pressure Accurately, Control It, Live Longer”.

Esta campanha vai focar-se sobretudo no combate às baixas taxas de sensibilização mundiais em áreas de baixo a médio rendimento económico, e em métodos precisos de medição da pressão arterial.

Alguns dos recursos de divulgação disponíveis na campanha incluem um curso online gratuito sobre medição automática exata da tensão arterial, e diretrizes para verificar a exatidão dos monitores de pressão arterial em 16 línguas.

A Sociedade Internacional de Hipertensão apela assim a todos para ajudar a campanha deste ano partilhando informação e recursos sobre hipertensão nos meios de comunicação e redes sociais. Os materiais e informação mais detalhada sobre a campanha podem ser encontrados neste link.

Sociedade Europeia de Cardiologia promove congresso digital com participação portuguesa

A Sociedade Europeia de Cardiologia vai realizar o congresso ESC Preventive Cardiology 2021 online entre os dias 15 e 17 de abril, com a presença de vários especialistas portugueses na área de cardiologia.

O evento é destinado não só aos cardiologistas, mas também a outros profissionais de saúde, jovens investigadores, cientistas e especialistas de outras áreas como a psicologia, fisioterapia, enfermagem e nutricionistas.

Organizado pela Associação Europeia de Cardiologia Preventiva, o congresso irá debater questões ligadas à área preventiva, como a prevenção cardiovascular primária e secundária, a cardiologia desportiva e os cuidados primários e a reabilitação.

Alguns dos temas incluídos no programa são como avaliar o risco cardiovascular agora e no futuro, os desafios da cardiologia preventiva na era da Covid-19, e a utilização de testes genéticos para avaliar e gerir o risco cardiovascular, entre outros.

A participação portuguesa vai incluir 24 especialistas de diferentes áreas, com apresentações sobre os fatores de risco, prevenção e terapêutica da Insuficiência Cardíaca Crónica, ferramentas de diagnóstico, o rastreio clínico dos atletas, nutrição e doença cardíaca, reabilitação cardiovascular e oncologia cardíaca.

Qual o limite mínimo seguro para o colesterol LDL?

Um estudo recente da Sociedade Europeia de Cardiologia (Karagiannis AD, et al., European Heart Journal, 2021) procurou prever os riscos que advêm do alcance de valores de LDL-C muito baixos, a partir da análise de patologias genéticas que provocam hipocolesterolemia.

A doença arterial coronária (DAC) é a principal causa de morbidade/ mortalidade no mundo ocidental e o colesterol sérico de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) tem sido considerado o principal fator de risco, havendo uma relação linear direta entre o LDL-C e DAC. Em virtude desta relação inequivocamente estabelecida, tem sido defendido que o benefício na redução do risco cardiovascular é tanto maior quão maior for a magnitude de redução do LDL-C, sem definição de um limite mínimo. Porém, com o advento de terapêuticas antidislipidémicas cada vez mais potentes, importa esclarecer quais as consequências de se atingirem valores de LDL-C muito baixos (<30 mg/dl).

Recentemente, têm surgido terapêuticas cada vez mais potentes na redução do LDL-C como as estatinas de alta intensidade, combinação de estatina/ezetimiba e os inibidores da PCSK9 incluindo evolocumab e alirocumab. Estes agentes são capazes de provocar uma redução drástica de LDL-C sem precedentes, sendo a combinação de um inibidor de PCSK9 com uma estatina ± ezetimiba a terapêutica que resulta na maior redução do LDL-C.

Em vários ensaios clínicos (JUPITER, PROVE-IT TIMI- 22, ensaios IMPROVE-IT, FOURIER, ODYSSEY) com o uso de agentes antidislipidémicos (estatina de alta intensidade, combinação de estatina/ezetimiba, estatina/combinação de inibidor de PCSK9, monoterapia de PCSK9) 10-25% dos doentes nos grupos de tratamento alcançaram níveis de LDL-C muito baixos (<30 mg/dL).  Porém, com a tendência crescente do número de doentes que alcança valores de LDL-C muito baixos (<30 mg/dL), é importante garantir que estes não estão em risco de sofrer efeitos adversos significativos no curto, médio e longo prazo.

Neste sentido, a análise de certas patologias genéticas pode ajudar à compreensão dos benefícios e riscos para a saúde de se viver com níveis de LDL-C muito baixos. As doenças em questão analisadas foram a hipobetalipoproteinemia familiar/ abetalipoproteinemia (FHBL), hipolipidemia familiar combinada (FHBL2), doença de retenção de quilomicra (DRC), síndrome de Smith – Lemli – Opitz (SLOS) e a doença causada pela mutação com perda de função do gene PCSK9. Mesmo que todas as condições genéticas acima mencionadas e agentes hipolipemiantes estejam associados com baixos níveis de LDL-C, o mecanismo por meio do qual LDL-C inferior é alcançado difere.

A PCSK9 é uma protease que se liga fortemente ao recetor de LDL (LDL-R), dirigindo-o para o lisossoma onde é degradado. Os Indivíduos com mutações que provocam perda de função da PCSK9 apresentam um número aumentado de LDL-R à superfície de seus hepatócitos, promovendo uma maior depuração do LDL-C em circulação resultando em valores permanentemente baixos de LDL-C. Estes indivíduos são saudáveis, não sofrem morbidades secundárias aparentes, e experimentam uma redução significativa nos eventos cardiovasculares a longo prazo.

A abetolipoproteinemia é uma doença autossómica recessiva rara resultante da mutação da proteína de transferência de triglicerídeo microssomal (MTP), que é essencial para a síntese de todas as lipoproteínas contendo apoB e secreção destas lipoproteínas no fígado e nos intestinos. Esta patologia é caraterizada pela incapacidade de absorção de lípidos nos intestinos e é diagnosticada pela ausência no soro de lipoproteínas contendo apoB, LDL-C em valores indetetáveis, além de deficiência de vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K). Indivíduos afetados por esta doença apresentam manifestações neurológicas graves, incluindo degeneração da retina, ataxia espinocerebelar, neuropatia periférica e posterior neuropatia de coluna, bem como esteatorreia, esteatose hepática, miosite e acantocitose. A desmielinização que leva à referida apresentação neurológica parece estar associada com deficiência de vitamina E e não relacionada com valores baixos de LDL-C. Outras manifestações associadas (mialgias/miosite) também são independentes do LDL-C uma vez que melhoram com o consumo de altas doses de vitaminas lipossolúveis e, até agora, a ausência de LDL-C sérico não esteve associada a consequências adversas.

A hipobetalipoproteinemia familiar (FHBL) é uma patologia autossómica dominante causada por mutações no gene apoB, que resulta na redução da lipidação e secreção de lipoproteínas contendo apoB dos hepatócitos para a circulação. A FHB é geralmente assintomática, mas nos adultos está ocasionalmente associada a intolerância alimentar à gordura, esteatorreia após a ingestão de lípidos, citólise moderada, colelitíase, níveis moderadamente baixos de vitaminas lipossolúveis e acantocitose. São por vezes observados casos de esteatose hepática moderada, que provavelmente decorrem da acumulação de lipoproteínas contendo apoB nos hepatócitos, e parestesias das extremidades. A FHBL está associado a valores de LDL-C tipicamente entre 20 e 50 mg/ dL, embora já tenham sido identificados indivíduos com valores de LDL-C até 17mg / dL.

A hipolipidemia familiar combinada (FHBL2) e doenças de retenção de quilomicra (DRC) são condições genéticas muito raras causadas por mutações em proteínas semelhantes à angiopoietina do tipo 3 (ANGPTL3) e SAR1B, respetivamente. Indivíduos com FHBL2 apresentam uma redução significativa de todas as lipoproteínas contendo apoB e apoAI com alguns portadores homozigotos com LDL-C tão baixo quanto 27 mg / dL.

Outros estudos demonstraram que os indivíduos com mutações de perda de função de função de ANGPTL3 tinham risco diminuído de desenvolver doença cardiovascular aterosclerótica. A DRC diagnosticada por hipocolesterolemia na presença de triglicerídeos normais e as manifestações incluem esteatorreia, diminuição da densidade óssea, neuropatia sensorial desmielinizante e potenciais evocados visuais anormais.

A SLOS é causada por mutações no gene DHCR7 (11q13.4) que leva à deficiência da enzima 3 beta-hidroxisterol-delta 7-reductase que converte o 7-dehidrocolesterol (7DHC) em colesterol. A transmissão é autossómica recessiva e o espetro clínico e a gravidade da apresentação variam. Está por apurar se a fisiopatologia da SLOS resulta de uma redução da síntese de colesterol (por exemplo, redução produção local de novo colesterol no sistema nervoso central), dos níveis baixos de colesterol ou da acumulação tóxica de 7-DHC.

A depuração aumentada de LDL-C derivada da sobrexpressão do LDL-R parece ter menos efeitos adversos em comparação com a diminuição da secreção de lipoproteínas ou acumulação intracelular tóxica de lipoproteínas ou diminuição da produção de lipoproteínas. Dado o potencial para benefício cardiovascular e perfil de segurança de curto prazo de muito níveis baixos (<30mg/dL) de LDL-C, pode ser vantajoso atingir tais níveis baixos em subconjuntos específicos de doentes de alto risco. As evidências sugerem haver benefícios cardiovasculares acrescidos proporcionais à redução do LDL-C até valores tão baixo quanto 10mg / dL. No entanto, existe uma preocupação com os dados limitados sobre a segurança a longo prazo da exposição ao LDLC <15 mg / dL em RCTs

São necessários novos estudos para comparar o benefício clínico líquido da não redução do LDL-C com intervenções com redução agressiva do LDL-C, bem como para comparar a eficácia e segurança de atingir níveis muito baixos de LDL-C por comparação com os atuais alvos recomendados.

 

 

 

 

 

A otimização terapêutica em doentes de alto e muito alto risco cardiovascular

A importância do controlo de fatores de risco cardiovascular esteve em análise nas XXI Jornadas de Hipertensão Arterial e Risco Cardiovascular de Matosinhos, em que começou por ser apresentado um caso clínico adaptado da prática clínica pela médica interna de Medicina Interna Dra. Ana Isabel Lopes.

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Terapêutica de associação de atorvastatina com ezetimiba na abordagem do risco cardiovascular

As vantagens de associar terapêuticas hipolipemiantes, nomeadamente atorvastatina com ezetimiba, em doentes com dislipidemia, estiveram em foco na intervenção do Professor da Faculdade de Medicina do Porto e Coordenador da Unidade de Farmacovigilância do Porto, Professor Dr. Jorge Polónia, no âmbito da sessão “O papel das associações no controlo lipídico”, que decorreu a 29 de outubro, com o patrocínio Bial, no âmbito das XXI Jornadas de Hipertensão Arterial e Risco Cardiovascular de Matosinhos.

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ESTeSC-IPC estuda impacto da COVID-19 no sistema cardiovascular

A Escola Superior de Tecnologia da Saúde do Politécnico de Coimbra (ESTeSC-IPC) é uma das instituições dinamizadoras do estudo “Covid-19 effects on ARTErial StIffness and vascular AgiNg” (CARTESIAN), que vai avaliar as consequências, a longo-prazo, do SARS-CoV-2 no sistema cardiovascular.

Promovido pela Association for Research into Arterial Structure and Physiology, o projeto reúne investigadores de 52 centros de referência (sediados em 25 países distintos), que trabalharão em parceria na pesquisa da relação entre a Covid-19 e o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. “Efetivamente, diversos estudos preliminares têm identificado efeitos importantes do SARS-CoV-2 nas artérias e coração, tornando-se absolutamente essencial perceber se estes efeitos persistem ao longo do tempo e de que forma poderão ser atenuados ou corrigidos apropriadamente”, explica Telmo Pereira, coordenador do centro de referência CARTESIAN da ESTeSC-IPC.

As conclusões do estudo permitirão “desenvolver estratégias adequadas de gestão clínica da infeção”, acrescenta o docente. Percebendo o impacto da Covid-19 no sistema cardiovascular, será possível elaborar planos de tratamento mais eficazes, bem como identificar previamente pacientes suscetíveis de desenvolver doença grave, por exemplo.

Ao longo dos próximos meses, a equipa liderada por Telmo Pereira (que integra também os docentes da ESTeSC-IPC Joaquim Castanheira e Armando Caseiro) vai avaliar cerca de uma centena de indivíduos anteriormente infetados com o SARS-CoV-2. Os dados recolhidos serão depois inseridos na base de dados multinacional do CARTESIAN.

Todos os exames – avaliação da rigidez arterial por tonometria, ecografia do coração e artéria carótida e colheita sanguínea – serão realizados nas instalações da ESTeSC-IPC, em duas fases de avaliação: a primeira nos primeiros três a seis meses após a infeção, e a segunda até um ano após a doença. Qualquer pessoa (desde que previamente infetada com SARS-CoV-2) pode voluntariar-se para participar no estudo, realizando os exames (não invasivos) de forma segura e gratuita.

 

 

 

João Sequeira Duarte é o novo presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose

A Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) tem um novo presidente: trata-se de João Sequeira Duarte, cuja lista venceu as eleições para o triénio 2021-2013, realizadas em dezembro.

O novo presidente dirigiu-se a todos os sócios pedindo para que continuassem a colaborar com a direção e corpos sociais para o crescimento da sociedade. João Sequeira Duarte destaca dois pontos essenciais do seu mandato: Por um lado, a contribuição para a formação pós-graduada na área da aterosclerose, em particular dos associados da SPA, para continuar a aumentar o seu número, e a participação na vida e nas atividades da sociedade, em colaboração com os corpos sociais e o conselho científico; e, por outro, a intervenção na população em geral, para aumentar a literacia em aterosclerose e melhorar a qualidade de vida.

No plano de atividades da SPA para 2021 estão ainda contempladas outras atividades: o presidente eleito quer ouvir os associados e contar com a sua participação, e a organização do 29º Congresso Português de Aterosclerose em articulação com os membros do conselho científico e os associados.

“O congresso  é seguramente a atividade mais significativa que a SPA realizamos anualmente e estamos certos que será um contributo relevante para a formação pós-graduada nesta área onde a multidisciplinaridade é a norma e onde eu próprio, endocrinologista de formação, tenho o gosto e a honra de participar”, afirma João Sequeira Duarte.

Outros pontos essenciais do mandato da nova direção são tornar a comunicação da SPA com o exterior mais diversificada e participada, substituir as pesquisas bibliográficas que foram asseguradas trimestralmente nos últimos anos por artigos comentados de publicação recente na área da aterosclerose, assegurar a diversidade e multidisciplinaridade na manutenção da página web e do Facebook e a publicação quadrimestral de uma newsletter. Além disto, estão também programados breves conteúdos temáticos em vídeo para disponibilizar no site, com o presidente cessante, Teixeira Veríssimo, agora no conselho científico, a dar início a este contributo.

O mandato conta ainda com planos em permanente atualização, como a captação de novos sócios, o registo Português de Hipercolesterolemia Familiar centralizado no INSA, o registo Europeu de Aterosclerose e a EAS Lipid Clinic Network.

 

 

Nuno Bettencourt e as JAC2021: A fatia mais importante da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da MGF

A “fatia mais importante ” da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da “mãe” de todas as especialidades, a Medicina Geral e Familiar. É assim que, em entrevista ao Jornal Médico, Nuno Bettencourt, coorganizador das Jornadas de Actualização Cardiológica para Medicina Geral e Familiar (JAC2021) contextualiza o evento, cuja 32.ª edição decorreu de 13 a 15 de janeiro. 

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual a importância da jornadas no contexto do diagnóstico da Doença Cardiovascular no âmbito da Medicina Geral e Familiar?

Nuno Bettencourt (NB) | As Jornadas de Actualização Cardiológica da Medicina Geral e Familiar já vão na sua 32ª edição e são, desde a sua fundação, um importante espaço de partilha do conhecimento e de troca de experiências. A doença cardiovascular é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade do país e agrega várias especialidades, desde a Medicina Geral e Familiar à Cardiologia, passando pela Medicina Interna e mesmo especialidades cirúrgicas. Apesar de serem doenças potencialmente fatais e com grande impacto socioeconómico, têm habitualmente evolução lenta e, são, maioritariamente, associadas a fatores de risco potencialmente modificáveis. Assim, a fatia mais importante da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da especialidade que é a “mãe” de todas as outras: é à Medicina Geral e Familiar que compete o rastreio cardiovascular, identificando fatores de risco modificáveis, agindo sobre eles e diagnosticando doença cardiovascular estabelecida que necessita de orientação subsequente. É nesta articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados especializados hospitalares que as jornadas se inserem. Tem sido um prazer e um privilégio poder fazer parte desta equipa que, ao longo destas últimas décadas, se tem dedicado a minimizar esse potencial “gap” na continuação de cuidados em medicina cardiovascular. Várias gerações têm sabido aproveitar as jornadas para melhorarem continuamente a qualidade dos cuidados de saúde que prestamos à nossa população. E a dinâmica única que vemos associada a estas jornadas demonstram bem que, apesar da respeitosa idade, as Jornadas continuam dinâmicas, renovadas e de boa saúde!

 

JM | Quais são as novidades que as jornadas vão trazer em termos de atualização do conhecimento para a Medicina Geral e Familiar?

NB| Na elaboração dos programas de cada nova edição das Jornadas tentamos seguir dois eixos primordiais: 1. ir de encontro ao que é solicitado pelos colegas de medicina geral e familiar nos inquéritos realizados na edição prévia e 2. incidir sobre as novidades e evoluções científicas com potencial impacto prático na clínica quotidiana da medicina geral e familiar. Seguindo estas linhas orientadoras, destaco nesta edição as atualizações em fibrilação auricular e avaliação para a prática desportiva, ambas com novas guidelines publicadas há 4 meses e o estudo da suspeita de doença coronária em idades pediátricas, um tema que vinha sendo solicitado nos últimos inquéritos. Ainda nesta linha de foco dirigido na atualização e em orientações eminentemente práticas, destaco a “Actualização Cardiológica Flash: O essencial de 2020: os estudos que não posso ignorar” – durante a qual o Prof. Francisco Sampaio tentará fazer uma súmula do que mais relevante se passou neste último ano [e com potencial para alterar a nossa prática clínica] – e a nova sessão de “perguntas práticas/respostas rápidas” em que abordaremos de forma simples e objetiva alguns temas com aplicação eminentemente prática.

 

JM | Qual o impacto que a pandemia teve na realização das jornadas?

NB| A pandemia é uma realidade à qual nos fomos tendo de adaptar, ao longo da preparação das JAC2021. Desde cedo nos apercebemos que não poderíamos manter o modelo e o local tradicional das Jornadas porque, mesmo que houvesse uma melhoria das condições sanitárias, não estaríamos em condições de manter a segurança necessária num evento desta dimensão. Ainda assim, durante muito tempo considerámos que poderíamos vir a ser capazes de realizar um evento híbrido com alguma participação presencial no Edifício da Alfândega do Porto e um forte componente virtual. A chegada da segunda vaga nos finais de outubro de 2020, fez-nos perceber que teríamos de optar por um evento totalmente virtual, como acabámos por fazer. Apesar destas dificuldades, estamos orgulhosos em ter conseguido manter estas tradicionais jornadas, nas suas datas habituais, e com a forte adesão mais uma vez registada. Neste momento, com cerca de 1400 inscritos, estamos encaminhados para bater o record de participação das Jornadas. É muito reconfortante, após este ano tão difícil, sentir o interesse dos colegas em participar e em interagir connosco.

 

JM | Como é feita a ligação dos especialistas em Medicina Geral e Familiar com a Doença Cardiovascular?

NB| A abordagem da continuação de cuidados na doença cardiovascular é um dos principais objetivos destas Jornadas. A doença cardiovascular é apenas uma das muitas doenças a que a Medicina Geral e Familiar se dedica, mas é certamente aquela que mais impacto tem no seu quotidiano, ocupando a sua prevenção e tratamento uma parte substancial dos atos médicos realizados em cuidados de saúde primários. Um dos principais fatores de sucesso na prestação de cuidados de saúde nesta área é uma boa articulação entre a Medicina Geral e Familiar e os cuidados especializados hospitalares. É por isso que um bom entendimento entre a especialidade de Medicina Geral e Familiar e a especialidade de cardiologia, usando uma linguagem comum e vias de referenciação bidirecionais práticas e funcionais é tão importante. A pensar nisso, uma das primeiras sessões da edição deste ano das Jornadas, que terá como palestrante a Prof. Cristina Gavina, é dedicada especificamente a esta articulação entre especialidades e à sua otimização, em busca da excelência na continuação de cuidados na área cardiovascular.

 

JM | Outra questão que ache relevante na dinâmica Doença Vascular e Medicina Geral Familiar no contexto das Jornadas

NB|Esta dinâmica “Doença cardiovascular – Medicina Geral e Familiar”, como bem refere, é uma das mais relevantes nos cuidados de saúde primários. Talvez por isso, e por se sentir uma necessidade de formação específica dedicada à MGF, há muito tempo que tem vindo a ser sugerido à nossa organização, a realização de cursos dedicados a temas específicos da área cardiovascular. Estes cursos dedicados permitiriam formações práticas, mas mais aprofundadas do que aquilo que é possível nos 3 dias das Jornadas. Motivados por estas sugestões, criámos este ano o “Programa de actualização e valorização pessoal” dedicado à MGF: Trata-se de um programa de ensino virtual / “e-learning” constituído por módulos independentes, mas complementares, abordando diferentes áreas do conhecimento. Este ano foram lançados os 3 primeiros cursos (1. Electrocardiografia, 2. Hipocoagulação Oral e 3. Dislipidemia), aos quais se irão juntar outros ao longo dos próximos anos. Pretendemos que estes cursos, que foram já submetidos a um processo de certificação europeia venham a funcionar como complemento das Jornadas e que contribuam para uma formação de qualidade e para a valorização profissional dos colegas de MGF em áreas específicas da Medicina Cardiovascular.

 

Sociedade Portuguesa de Cardiologia promove Fórum Inovação e Sustentabilidade, Futilidade e Redundância

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) vai realizar no próximo dia 15 de janeiro o Fórum SPC, que irá abordar a inovação e sustentabilidade, desperdício e ecologia, futilidade e redundância e criação de valor.

A iniciativa é organizada pela Coordenação Científica da SPC e pela Academia Cardiovascular. O Fórum será moderado pelo presidente da SPC, Victor Gil, e pelo presidente-eleito, Lino Gonçalves e terá como comentadores o coordenador científico da SPC, Jorge Ferreira e a diretora da academia cardiovascular da SPC, Cristina Gavina.

O evento é dirigido à comunidade científica, mas também a todos os que intervêm no complexo sistema de saúde, incluindo gestores e decisores.

“Pensar em temas com esta abrangência, numa fase em que o discurso é dominado pela pandemia, é um desafio acrescido, mas consideramos essencial continuar a refletir e repensar a organização, a modelização dos sistemas, a implementação e a monitorização da qualidade clínica, em defesa da qualidade dos cuidados de saúde”, refere Victor Gil, presidente da SPC.

Será possível assistir ao Fórum através das plataformas abertas do Youtube e Facebook da Sociedade Portuguesa de Cardiologia e interagir através do zoom.

 

 

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