Helder Dores: “Na dislipidemia, não devemos perder tempo para começar um tratamento mais eficaz”

A dislipidemia é um dos fatores de risco cerebrovascular e cardiovascular mais prevalentes nas populações ocidentais e, em Portugal, “os valores-alvo do colesterol estão muito longe do desejável”. Quem o diz é o cardiologista do Hospital das Forças Armadas e professor da NOVA Medical School, Hélder Dores, que alerta para a existência de alguma inércia médica e enuncia as vantagens de uma abordagem terapêutica mais “agressiva”.

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A inércia das estatinas: Uma das principais causas de morte em Portugal

“Quando indicado, o início e otimização da terapêutica farmacológica não devem ser protelados. Investir na prevenção dos eventos cardiovasculares acarreta benefícios claros para os doentes e suas famílias, bem como para os sistemas de saúde e economia do país”, defende a interna do 4.º ano de formação específica em Medicina Geral e Familiar (MGF) na Unidade de Saúde Familiar (USF) Ara de Trajano, Joana Campelos.

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Philippe Botas: “Existe mais que a Covid-19 e isso é muito importante”

O médico especialista em Medicina Geral e Familiar (MGF) Philippe Botas participou num webinar recentemente organizado pelo Jornal Médico e partilhou a sua visão sobre a telemedicina, defendendo que esta “nunca fez tanto sentido como no contexto atual”.

Numa altura em que se estão a retomar a assistência e as consultas presenciais – o que exige uma reorganização do atendimento –, o especialista reforçou a necessidade de melhoria dos canais de comunicação com os cuidados hospitalares.

“Acho que era muito importante, para conseguirmos assegurar que os médicos de família possam discutir casos específicos com os colegas, médicos de outras especialidades e que o possam fazer em tempo útil e, assim, garantir o bom atendimento aos nossos utentes”, destacou.

Também a adoção de um estilo de vida saudável fez parte da sua intervenção, apontando-a como o “patamar base” para o tratamento de alterações do metabolismo dos lípidos.

Cristina Gavina: “É muito importante ter os fatores de risco controlados”

A médica especialista em Cardiologia e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Cristina Gavina, foi uma das intervenientes de uma conversa virtual promovida pelo Jornal Médico. No centro, estiveram os temas colesterol e Covid-19 e à sua volta surgiram diversas questões e constatações, entre as quais o facto estar identificada uma tendência para que as infeções víricas instabilizarem a doença cardiovascular, identificando, assim, uma preocupação com o facto de as pessoas não terem os fatores de risco controlados.

“É muito importante ter os fatores de risco controlados, em particular, num momento em que as pessoas estão mais predispostas a ficar doentes, porque temos uma pandemia”, salientou a especialista, alertando ainda para a necessidade de se manterem as medicações crónicas.

Cristina Gavina clarificou que ter colesterol elevado não se traduz numa maior predisposição para contrair Covid-19, mas realçou que “ter Covid-19 pode espoletar a progressão da doença mais facilmente” e ter um evento agudo.

E no que a dúvidas diz respeito, relembrou que “os médicos estão disponíveis” para esclarecê-las, revelando também que estão a ser criados espaços específicos e “bastante seguros”, dentro das instituições de saúde, para que as pessoas possam recorrer às mesmas, quando necessitarem, nesta fase pós-confinamento.

Francisco Araújo: “Só há doença aterosclerótica existindo colesterol”

“A boa terapêutica é fundamental, na gestão da doença crónica”. Esta foi uma das ideias defendidas pelo médico especialista em Medicina Interna e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), Francisco Araújo, num webinar recentemente organizado pelo Jornal Médico sobre colesterol e Covid-19.

Embora não reconheça que o colesterol elevado signifique que uma pessoa terá maior risco de contrair a doença provocada pelo novo coronavírus, sublinha que, em caso de infeção, este é um fator que condiciona maior risco de ocorrência de um evento cardiovascular ou de uma complicação da própria Covid-19.

Neste âmbito, o especialista recordou que dois terços da população portuguesa têm níveis de colesterol elevado e destaca-o como o “inimigo principal” da doença aterosclerótica e como o “fator de risco mais importantes de todos”, do ponto de vista da cardiopatia isquémica.

Num balanço do último mês e meio, Francisco Araújo frisou a quebra de 200 mil urgências, um número que descreve como sendo “extremamente significativo” e que, a par com o abandono da medicação, contribuiu para o aumento da mortalidade.

Após destacar que, mesmo perante uma pandemia, não se pode descurar todas as doenças de base, como a dislipidemia, o vice-presidente da SPA terminou a sua intervenção com uma mensagem positiva: “Estamos todos disponíveis para dar a volta a isto, mais uma vez”.

Colesterol e Covid-19: É fundamental controlar os fatores de risco, dizem os especialistas

O Jornal Médico promoveu recentemente um webinar em que foram abordadas a forma como a infeção pelo novo coronavírus se relaciona com a doença cardiovascular e a resposta que tem sido dada aos doentes, num contexto em que os serviços de saúde estão direcionados para a Covid-19.

Esta conversa digital, que teve o patrocínio científico da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose e o apoio Bial, contou com a participação de três médicos especialistas de Cardiologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar (MGF), que partilharam as suas perspetivas sobre os desafios atuais.

A ligação entre o colesterol elevado e a Covid-19 não é direta, mas a evidência mostra que, se infetados, os doentes cardiovasculares são um grupo em maior risco, sendo a dislipidemia um dos fatores que contribui para a ocorrência de acidente vascular cerebral (AVC) e enfarte agudo do miocárdio (EAM).

A médica especialista em Cardiologia e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Cristina Gavina, esclareceu que o colesterol elevado não torna as pessoas mais predispostas a ter Covid-19, mas sublinha que “ter Covid-19 pode espoletar a progressão da doença mais facilmente e terem um evento agudo”.

Questionada sobre os dados que sustentam algumas notícias tornadas públicas que referem que alguns medicamentos podem, alegadamente, agravar a sintomatologia e prognóstico em caso de Covid-19 ou representar um risco acrescido em doentes não infetados, defende tratar-se de um mito. Mito esse que pode prejudicar os doentes, levando-os a descontinuar a sua terapêutica.

“Acho que é fundamental as pessoas não pararem as medicações que as protegem e que podem ter, efetivamente, impacto naquilo que vai ser a progressão da sua doença crónica e agudização, com receio de uma coisa que não é verdade”, frisou Cristina Gavina.

Em termos de medicação, este posicionamento é partilhado pelos especialistas que foram também unânimes no que concerne à importância de se controlar os fatores de risco.

O facto de muitos doentes terem evitado ir às urgências dos hospitais e a minimizar a importância atribuída a sintomas de enfarte e AVC, com receio de ficarem internados e de serem infetados com Covid-19, mereceu a atenção do médico especialista em Medicina Interna e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA), Francisco Araújo.

“Em Portugal houve menos 200 mil urgências [no primeiro mês e meio da quarentena]. É um número extremamente significativo. Sabemos que a mortalidade aumentou duas ou três vezes, e foi, em parte, porque os doentes podem ter abandonado a medicação, mas, seguramente, foi muito por não recorrerem aos serviços de urgência”, destacou.

Neste cenário, inclui-se também o facto de dois terços da população portuguesa ter níveis de colesterol elevados e a sua relação com a doença aterosclerótica. “No colesterol, nós não sabemos qual é o nível mais baixo que vem a condicionar problemas. Nascemos com níveis de colesterol na ordem dos 50/60 e o facto de dois terços da população portuguesa ter níveis de colesterol elevados faz com que se perca um bocadinho a noção do que é o critério da normalidade”, recordou Francisco Araújo.

Conclui, por isso, que o critério da normalidade não são, “seguramente”, os valores apresentados pela maior parte da população, que ronda os 200: “São valores muito mais baixos, porque só há doença aterosclerótica, existindo colesterol”.

Houve tempo para a questão comportamental, considerada fundamental nos doentes com dislipidemia – e que, devido à pandemia, pode ter sofrido alterações, nomeadamente, no que concerne a hábitos alimentares e à prática de exercício físico.

Este foi um dos tópicos abordados pelo médico especialista em MGF Philippe Botas, que além apontar o estilo de vida saudável como o “patamar base” para qualquer tratamento do metabolismo dos lípidos, considera que o isolamento social, apesar de tudo, pode ser “uma janela de oportunidade para investir na atividade física”, referindo a possibilidade da prática dentro de quatro paredes.

Referiu também o acompanhamento feito pelos médicos de família aos utentes, que considera “fundamental” em casos como a dislipidemia e risco cardiovascular, sublinhando a importância de uma relação preexistente.

Sobre a telemedicina, não tem dúvidas: “Nunca fez tanto sentido como no contexto atual”, mas reconhece que é necessário, agora, começar-se a reorganizar o atendimento para minimizar os riscos, no contexto da pandemia, e assegurar a assistência.

Outra questão levantada por Philippe Botas prende-se com a uma necessidade identificada, antes desta pandemia e que agora se torna premente, nomeadamente, a melhoria dos canais de comunicação com os cuidados hospitalares. “Acho que era muito importante, para conseguirmos assegurar que os médicos de família possam discutir casos específicos com os colegas, médicos de outras especialidades e que o possam fazer em tempo útil e, assim, garantir o bom atendimento aos nossos utentes”, sustenta.

Luiz Miguel Santiago: “O acompanhamento do doente com dislipidemia tem de ser complexo, acessível e longitudinal”

O especialista em Medicina Geral e Familiar e Professor na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, Luiz Miguel Santiago sublinha a importância que a atividade física e a dieta equilibrada assumem no tratamento do doente com colesterol elevado, além da terapêutica farmacológica. Em conversa com o Jornal Médico, aponta as mais valias da literacia em saúde e antevê mudanças na organização dos serviços.

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