Entrevistas

Carlos Rabaçal: “O XXIX Congresso Português de Aterosclerose vale pelo seu todo”

Agendada para 15 e 16 de outubro, no Meliá Ria Hotel, em Aveiro, a XXIX edição do Congresso Português de Aterosclerose promete valer pelo seu todo. Antecipando a qualidade e novidade planeadas, o presidente do Congresso, destaca o estado da arte, o momento presente e as terapêuticas associadas à patologia como os temas principais. Em entrevista ao Jornal Médico, Carlos Rabaçal faz a projeção do essencial do evento.

Jornal Médico (JM) | Estamos na XXIX edição do Congresso Português de Aterosclerose. Quais os saltos qualitativos da história deste Congresso que gostaria de assinalar?

Quando se organiza um evento científico desta índole, é difícil anteciparmos saltos qualitativos. Todas as anteriores edições tiveram também, de certeza absoluta, a pretensão de serem eventos qualitativamente muito visíveis. Falarmos em avanços qualitativos, é em certa medida desvalorizarmos tudo aquilo que foi feito para trás. No mínimo, o que pretendemos, e eu particularmente por estar na comissão organizadora, é que este Congresso tenha a mesma qualidade que os anteriores. Passou um ano relativamente ao congresso anterior, houve aspetos que se relacionam com o objeto deste congresso que sofreram algumas modificações, que foram atualizados, e é isso que queremos trazer. É uma discussão atual de temas relacionados com a aterosclerose.

JM | O Congresso vai realizar-se em formato híbrido. Que adaptações tiveram de fazer para manter o nível de diferenciação habitual? Quais os principais desafios?

Esta versão híbrida, o que traz de novo, é o facto de termos também uma transmissão via web. Estamos habituados aos congressos presenciais e infelizmente com o problema que todos vivemos, fomos obrigados a comunicar utilizando as tecnologias atuais. Antecipando que ainda poderíamos estar a viver o rescaldo da crise, preferimos organizar este modelo que tem as duas faces: presencial e virtual. Por um lado, contamos com as pessoas e estamos muito ansiosos por perceber finalmente se vão ultrapassar os receios e aparecer em Aveiro. Por outro lado, sabendo que em algumas circunstâncias ainda podem haver alguns constrangimentos, também temos a parte virtual.  Para isso foi necessário termos a parceria e o apoio de empresas que trabalharam e nos ajudaram a construir este Congresso, como a LPM e a News Farma. Esta parte está a ser trabalhada para que o Congresso possa chegar às pessoas que estão a ver virtualmente, da mesma forma que as que estão a assistir presencialmente.

JM | Quais foram as linhas orientadoras para a elaboração do programa científico?

O programa científico do Congresso Português de Aterosclerose está muito centrado na doença aterosclerótica. Sendo um tema que interessa a várias especialidades, achamos que é sempre um bom momento para refletirmos sobre aquilo que vai surgindo ano a ano, de forma a diagnosticarmos melhor e a tratarmos melhor os doentes que tem doenças ateroscleróticas. Nesse sentido, tentamos olhar para o estado da arte e para o momento presente e integrar no programa temas que sejam atuais. Além de discutirmos temas relacionados com a inflamação, que agora se fala muito por causa da COVID-19, vamos falar da relação dos genes com estas doenças, ouviremos projeções sobre o que será a aterosclerose no futuro,  vamos falar também de várias inovações no capítulo terapêutico. Além de ter uma matriz em que se discute sempre a doença aterosclerótica, também integrará informação clínica relativamente àquilo que no último ano aconteceu e o que acrescenta à nossa vivência atual. Recentemente foram publicadas as guidelines da prevenção da doença cardiovascular da Sociedade Europeia de Cardiologia (European Society of Cardiology), que naturalmente também servirão para fundamentar as discussões que se vão discutir.

JM | Quais os temas que destaca nesta edição?

Todas as sessões se destacam por aquilo que nós antecipamos em termos qualitativos e de novidade para quem vai assistir. Efetivamente, eu acho que o Congresso foi construído com as ideias de muitas pessoas e todos os temas são importantes. O XXIX Congresso Português de Aterosclerose vale pelo seu todo.

JM | Qual a importância da Medicina Geral e Familiar (MGF) e da presença destes especialistas no Congresso?

A grande maioria dos doentes com doenças ateroscleróticas é seguida pelos nossos colegas de MGF. As especialidades médicas hospitalares, onde se inclui a Medicina Interna, a Cardiologia, a Neurologia e a Endocrinologia, veem uma parte pequena dos doentes que têm estas doenças. Sabemos que as doenças cardiovasculares ateroscleróticas são a principal causa de morte e de morbilidade do mundo. São doenças extremamente prevalentes, frequentes e que escapam naturalmente à abrangência das especialidades hospitalares. A grande maioria destes doentes já com doença e aqueles que ainda não têm, mas que têm riscos e que são escrutinados mais particularmente pela MGF, obrigam-nos a que contemos também com os colegas desta especialidade para a discussão destes temas. Eles têm muitos destes indivíduos, que sendo saudáveis já têm risco e têm de ser tratados, e também muitos daqueles que já tendo doença necessitam de ser acompanhados. Achamos que, claramente, os colegas de MGF fazem parte deste grupo de especialidades que tem a aterosclerose como um inimigo comum.

JM | Que estratégias podem ser adotadas para melhorar a adesão terapêutica e qual o papel do médico de família e da telemedicina na sua promoção?

A adesão terapêutica é efetivamente uma das questões de grande relevância e de discussão atual no âmbito do tratamento de múltiplas doenças crónicas. Em várias áreas das doenças crónicas, aquelas que exigem um tratamento de longo curso, muitas vezes para toda a vida, colocam-se questões de extrema dificuldade e que passam muito pela necessidade de nós engajarmos os doentes, os empoderarmos, para que eles possam ser parceiros do seu tratamento e contribuírem para o sucesso das terapêuticas.       Para conseguirmos isso temos de capacitar o doente para que ele possa fazer as melhoras escolhas. Isto implica que tenhamos tempo para estar com os nossos doentes. Temos de ter tempo para os educar e aconselhar, ouvir as suas preocupações, os seus receios, as suas dúvidas e podermos, de uma forma muito mais enfática, relevar a importância do tratamento de forma a que os doentes percebam que devem ter hábitos comportamentais e de ingestão dos fármacos que sejam adequados àquilo que é a sua realidade, e que efetivamente possa ser também um elo no sucesso das terapêuticas. Nesse sentido, a telemedicina pode ajudar a fazer mais e melhor porque pode facilitar a frequência dos contactos.

JM | Que cunho pessoal quer imprimir nesta edição do Congresso Português de Aterosclerose?

Posso dizer com alguma vaidade que estou na comissão organizadora do XXIX Congresso da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose. Depois, algo com o qual eu me debati para este congresso são as sessões de prós e contras das terapêuticas. Também trazemos alguém de fora da Medicina: o escritor Afonso Cruz. É importante termos a sua visão daquilo que será o mundo depois da pandemia. O resto insere-se muito na linha do que tem sido feito, com sessões e conferências.

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