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Custos nacionais totais com a aterosclerose ultrapassaram 1.9 mil milhões de euros em 2016

As manifestações da aterosclerose, nomeadamente a doença cardíaca isquémica (DCI), a doença cerebrovascular isquémica (DCVI) e a doença arterial periférica (DAP), integram o grupo das doenças cardiovasculares, que constituem a principal causa de morte a nível mundial, e nacional. A par da mortalidade, a aterosclerose tem um elevado impacto na saúde individual e populacional, o qual, por sua vez, acarreta um impacto económico ao nível de recursos usados na prevenção e tratamento da doença aterosclerótica. Neste sentido, o presente estudo levado a cabo pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia procurou estimar os custos da aterosclerose em Portugal Continental, e o seu impacto no Serviço Nacional de Saúde.

A análise dos custos foi realizada com base na prevalência da doença, ou seja, nos custos associados à aterosclerose especificamente durante o ano de 2016 (ano mais recente para o qual estavam disponíveis dados à data do estudo). Foram considerados os custos diretos (consumos de recursos) e indiretos (impacto na produtividade da população associados à doença. As manifestações da aterosclerose foram consideradas individualmente dado estarem associadas a diferentes impactos económico e social: DCI, DCVI e DAP. Frequentemente o mesmo doente sofre mais de uma manifestação clínica da aterosclerose, sendo por isso necessário ajustar a prevalência global da aterosclerose para esta sobreposição. Para este efeito, utilizaram-se os dados constantes no SIARS, um repositório de dados administrativos e clínico-demográficos provenientes dos utilizadores das Unidades de Saúde de uma determinada região, nomeadamente a caracterização clínica dos doentes com aterosclerose utilizadores dos cuidados de saúde primários da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo

O custo total da aterosclerose em 2016 foi de 1,9 mil milhões de euros (58% de custos diretos  e 42% custos indiretos, respetivamente). A maior parte dos custos diretos esteve associada aos cuidados de saúde primários (55%), seguindo-se o ambulatório hospitalar (27%) e, por último, os episódios de internamento (18%). Os custos indiretos foram principalmente determinados pela não participação no mercado de trabalho (91%) (tabela 1).

Tabela 1-Custos totais devidos à aterosclerose (Portugal Continental, 2016)

Com base nas diferentes de fontes de dados nacionais, estimou-se uma prevalência global de aterosclerose sintomática de 742709 adultos em Portugal Continental, o que corresponde acerca de 9% da população. Esta prevalência reflete maioritariamente as manifestações clínicas da aterosclerose que geraram sintomatologia reconhecida pelos doentes. Os custos diretos (58%, maioritariamente relacionados com custos em ambulatório) e indiretos (42%, maioritariamente relacionados com não participação no mercado de trabalho) com a aterosclerose em Portugal Continental, no ano de 2016, ultrapassam 1,9 mil milhões de euros, o que equivale a cerca de 1% do Produto Interno Bruto nacional, a 11% da despesa corrente em saúde e a um custo médio anual de 237€ por cada adulto português.

A aterosclerose tem um impacto económico significativo, correspondendo a uma despesa equivalente a 1% do Produto Interno Bruto nacional e a 11% da despesa corrente em saúde, em 2016.Segundo os autores do estudo “ a importância que estes valores apurados assumem justifica uma reflexão por parte das autoridades de saúde sobre este problema”

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