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Elevados níveis de poluição do ar associados a arritmias cardíacas fatais

De acordo com investigação apresentada no Heart Failure 2022, congresso científico da European Society of Cardiology (ESC), as arritmias com risco de vida são mais prováveis em dias com elevados níveis de poluição do ar. Estas foram as conclusões de um estudo realizado em doentes com um cardioversor-desfibrilador implantável (CDI), o que permitiu aos autores rastrearem a ocorrência de arritmias e a administração de terapêuticas life saving.

O estudo “Fine particulate matters exposure and risk of ventricular arrhythmias in patients with ICD”  avança que “pessoas com alto risco de arritmias ventriculares, como aquelas com CDI, devem verificar os níveis de poluição diariamente”, disse a autora, Alessia Zanni, do Hospital Maggiore, Bolonha. 

“Quando as concentrações de partículas finas (PM) 2,5 e PM 10 são elevadas (acima de 35 μg/m3 e 50 μg/m3, respetivamente), é recomendável ficar dentro de casa o máximo período de tempo possível e usar uma máscara N95 ao ar livre, principalmente em áreas de tráfego intenso. Adicionalmente, pode ser usado um purificador de ar em casa”, acrescenta. 

O estudo incluiu 146 doentes que receberam um CDI entre janeiro de 2013 e dezembro de 2017. Desses, 93 receberam um CDI por insuficiência cardíaca após um ataque cardíaco, enquanto 53 tinham uma doença cardíaca genética ou inflamatória. Pouco mais da metade (79 doentes) nunca havia apresentado arritmia ventricular, e 67 doentes já haviam apresentado arritmia ventricular anteriormente.

Os dados sobre arritmias ventriculares foram coletados remotamente do CDI até à conclusão do estudo, no final de 2017. Os investigadores também registaram a terapêutica administrada pelo dispositivo, incluindo estimulação antitaquicárdica para taquicardia ventricular (batimento cardíaco rápido), que fornece impulsos elétricos ao músculo cardíaco para restaurar uma frequência e ritmo cardíacos normais e choque elétrico para redefinir os batimentos cardíacos durante a fibrilhação ventricular.

Foram obtidos níveis diários de PM10, PM2,5, monóxido de carbono (CO), dióxido de azoto (NO2) e ozono (O3) das estações de monitorização da Agência Regional de Proteção Ambiental (ARPA).

 Os investigadores analisaram a associação entre as concentrações de poluentes e a ocorrência de arritmias ventriculares.

Foram registadas um total de 440 arritmias ventriculares durante o período do estudo, das quais 322 foram tratadas com estimulação antitaquicárdica e 118 foram tratadas com choque elétrico. Os investigadores encontraram uma associação significativa entre os níveis de PM2,5 e arritmias ventriculares tratadas com choques, correspondendo a um aumento de 1,5% no risco para cada aumento de 1 μg/m3 de PM2,5. 

“As partículas podem causar inflamação aguda do músculo cardíaco, que pode atuar como um gatilho para arritmias cardíacas. Como essas partículas tóxicas são emitidas por centrais elétricas, fábricas industriais e carros, são necessários projetos ambientais para proteger a saúde, além das ações que os indivíduos podem tomar para se proteger”, referiu o Dr. Zanni. Nesse sentido, a especialista concluiu que “a poluição ambiental não é apenas uma emergência climática, mas também um problema de saúde pública”. 

A poluição do ar exterior mata cerca de 4,2 milhões de pessoas todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Quase uma em cada cinco mortes por doenças cardiovasculares é provocada pela poluição do ar, classificado como o quarto maior fator de risco de mortalidade, associado à hipertensão, ao tabagismo e a uma dieta deficiente.

 

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