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Estratégias de prevenção de doenças cardiovasculares: o que dizem as guidelines da ESC

“O que devo saber sobre risco cardiovascular em 2022… “? O Congresso Português de Cardiologia propôs-se a trazer aos clínicos o que importa ter em mente, quanto à evidência e orientações mais recentes. A cardiologista Quitéria Rato deu o seu contributo. 

Assim, a palestrante convidada do Centro Hospitalar de Setúbal, fez uma revisão prática das últimas guidelines da ESC, publicada em 2021, para a avaliação e abordagem do risco cardiovascular na prática clínica. Em matéria de estratificação do risco e ferramentas disponíveis, os fatores de risco modificáveis e a intensificação da terapêutica, entre outros tópicos, a intervenção da cardiologista pode resumir-se nas seguintes mensagens-chave:

  • A partir da ferramenta de estratificação de risco SCORE, foram desenvolvidas novas ferramentas aplicáveis a populações atuais: a SCORE2 e a SCORE2-OP; 
  • A ferramenta SCORE2 é recomendada para estratificar o risco cardiovascular fatal e não fatal a 10 anos de indivíduos aparentemente saudáveis com idade <70 anos sem doença aterosclerótica/cardiovascular, diabetes mellitus 2, doença renal crónica, hipertensão arterial e dislipidemias raras;
  • Já a ferramenta SCORE2-OP é recomendada para estratificar o risco cardiovascular fatal e não fatal a 5 e a 10 anos de indivíduos aparentemente saudáveis com idade ≥70 anos sem doença aterosclerótica/cardiovascular, diabetes mellitus 2, doença renal crónica, hipertensão arterial e dislipidemias raras;
  • Ambas as ferramentas foram calibradas para quatro clusters de países, que foram agrupados segundo as respetivas taxas de mortalidade cardiovascular, publicadas pela Organização Mundial de Saúde;
  • Em ambos as ferramentas, os cut-offs dos riscos são definidos em função da idade (<50 anos, 50-69 anos e ≥70 anos), considerado o fator de risco não modificável mais preponderante;
  • O cut-off a partir do qual se define muito alto risco para os indivíduos mais jovens (<50 anos) é de 7,5%. Por outro lado, no caso dos indivíduos mais idosos, o cut-off partir do qual se define muito alto risco é de 15%, já que é preciso considerar todas as comorbilidades;
  • O benefício do tratamento dos fatores de risco é tanto maior quanto mais cedo o se iniciar o respetivo tratamento;
  • Os fatores de risco modificáveis mais relevantes são, por ordem decrescente de importância, o tabagismo, os níveis elevados de colesterol LDL e a hipertensão arterial.
  • A intensificação da terapêutica passo-a-passo é uma abordagem recomendada quer a indivíduos aparentemente saudáveis, indivíduos em risco elevado ou muito elevado, assim como em doentes com doença aterosclerótica e cardiovascular estabelecida, com vista a alcançar os objetivos terapêuticos pré-estabelecidos;
  • Nos doentes com doença cardiovascular estabelecida deve ser determinado o risco residual, definido como o risco estimado após alterações do estilo de vida e tratamento dos fatores de risco;
  • A estimativa do risco/benefício ao longo da vida pode ser comunicada no processo de tomada de decisão partilhada, juntamente com as considerações sobre as comorbilidades, fragilidade e as preferências do doente para iniciar e intensificar o tratamento dos fatores de risco.