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Estudo alerta para constrangimentos nas Unidades de AVC

O estudo “Caracterização das Unidades de AVC em Portugal 2021”, divulgado a 18 de setembro, alerta para uma “uma distribuição claramente desigual” nas Unidades de AVC (UAVC) e “constrangimentos na infraestrutura e capital humano”. Promovido pela Sociedade Portuguesa do Acidente Vascular Cerebral (SPAVC), este estudo destinou-se a compreender o funcionamento da Via Verde de AVC (VVAVC) e das UAVC.

A SPAVC esclareceu, em comunicado, que o estudo “demonstrou que as redes de referenciação existentes para terapêutica aguda de revascularização não seguem um plano nacional concertado e devidamente organizado” para que haja “uma rede geograficamente equitativa” e uma “uma distribuição claramente desigual das UAVC pelo território português”, mais evidente na região sul.

Três em 35 UAVC reconhecem não ter equipa própria de enfermeiros e cinco em 35 não ter fisioterapeutas dedicados. Também três em 35 dizem não ter terapeutas da fala na equipa de UAVC. “Persistem três em 35 UAVC sem espaço próprio geograficamente delimitado. Somente seis em oito vagas de UAVC (75%) têm capacidade para deteção automática de eventos disrítmicos – sendo que 17 em 35 UAVC não têm Central de Monitorização com esta capacidade, e 16 em 35 UAVC não dispõem de Compressores Pneumáticos dos membros inferiores. Em boa verdade, uma em 35 UAVC não tem sequer capacidade para monitorização contínua de ECG”, lê-se neste estudo.

Como principais necessidades assinaladas às diferentes UAVC analisadas, destaca-se a necessidade de reforço de médicos, enfermeiros, terapeutas, assistentes operacionais e a necessidade de estabilização das equipas e dedicação exclusiva à UAVC, ou do reforço de vagas e de equipamentos.

Miguel Rodrigues e José Mário Roriz, coordenadores do trabalho, afirmam que “o aparecimento das UAVC e a implementação da VVAVC tiveram um papel determinante na diminuição da mortalidade por AVC, na última década, e na melhoria dos cuidados no AVC agudo em Portugal”. Alertam também que “o funcionamento da VVAVC e a estrutura e organização das UAVC é díspar a nível nacional”, com os vários hospitais a adotarem modelos de funcionamento e recursos humanos diferentes e que UAVC “nunca foram formalmente reconhecidas nem integradas numa rede nacional”, colocando limitações à sua organização e funcionamento.

Os responsáveis pelo estudo recomendam a criação de uma Rede Nacional de Unidades de AVC, que cada hospital alinhe uma política para o AVC agudo e que os hospitais sejam munidos de recursos financeiros e de capital humano específicos. Feito em colaboração com a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e Reabilitação salientaram que o mesmo foi editado após o último recenseamento da população portuguesa. Os Censos de 2021 mostraram um envelhecimento da população residente, com cerca de 24% dos cidadãos em 2021 a terem 65 ou mais anos (em 2011 eram 19%).

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