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Estudo identifica três biomarcadores preditores de mortalidade a cinco anos após AVC

Os acidentes vasculares cerebrais (AVC) são das principais causas de morte e de incapacidade a longo prazo e 40–60% dos doentes com AVC isquémico morrem nos 5 anos após o evento. Por este motivo, a previsão de um desfecho fatal por AVC isquémico pode tornar-se significativamente útil para tomadas de decisões terapêuticas e melhoria do prognóstico do doente. Neste contexto foi conduzido um estudo prospetivo longitudinal (Ramiro L, et al.Life.2021) com 941 doentes de AVC isquémico para avaliar a capacidade preditiva de biomarcadores sanguíneos de mortalidade a cinco anos após evento.

A maioria das ferramentas usadas para prever a evolução e desfecho clínico das vítimas de AVC incluem caraterísticas clinicas, como a severidade do evento e idade, e raramente são usados na prática clínica. Além disso, tem sido sugerido por alguns autores que a adição de biomarcadores ao modelo clínico poderá aumentar a sua capacidade preditiva. Neste sentido, o presente estudo procurou avaliar a capacidade preditiva de 14 biomarcadores sanguíneos durante a fase aguda de AVC isquémico para a mortalidade a cinco anos após evento em 941 doentes. 

Foi analisado por imunoensaios um painel composto por 14 biomarcadores de amostras de sangue obtido na admissão hospitalar. Os biomarcadores foram normalizados e padronizados usando scores Z. Foram usados modelos de regressão de Cox para identificar variáveis clínicas e biomarcadores de forma independente associada com mortalidade a longo prazo e mortalidade por AVC. Na análise multivariada, os preditores clínicos independentes de mortalidade a longo prazo foram idade, sexo feminino, hipertensão, glicemia e pontuação basal da National Institutes of Health Stroke Scale (NIHSS).

A proporção de doentes que morrem após AVC isquémico é influenciada por diferentes variáveis, como subtipo de AVC ou recursos de saúde de cada país. Os doentes que faleceram durante o período de seguimento do estudo eram mais velhos, acumulavam mais fatores de risco vasculares, como hipertensão e fibrilhação auricular, e tinham uma pontuação basal mais alta do NIHSS.

 Após o ajuste para variáveis ​​clínicas, níveis aumentados de endostatina, IL-6 e TNF-R1 foram destacados como preditores independentes de mortalidade a longo prazo após AVC. Com efeito, quando esses três biomarcadores se encontravam combinados, o risco de morte aumentou para 69%.Por outro lado, o risco de morte a longo prazo foi inferior a 10% quando nenhum desses biomarcadores se encontrava em níveis patológicos.

 Os biomarcadores destacados no presente estudo são conhecidos peças-chave nas vias fisiopatológicas implicadas no AVC, como a angiogénese (endostatina) e resposta inflamatória (IL-6 e TNF-R1).Como conclusão, a sobrexpressão aguda de endostatina, IL-6 e o TNF-R1 após o AVC isquémico pode predizer mortalidade em longo prazo. Neste pressuposto, um painel compreendendo esses três biomarcadores pode ser usado para ajudar a identificar os doentes de alto risco, e decidir que estratégias terapêuticas mais agressivas poderão ser mais benéficas para estes doentes. O estudo sugere ainda que a modulação dessas moléculas e vias em que se encontram envolvidas através de fármacos angiogénicos ou antinflamatórias pode revelar-se uma abordagem atrativa para melhorar o prognóstico dos doentes e reduzir a mortalidade.

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