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Heart Failure 2022: Níveis de álcool considerados seguros afinal podem influenciar a saúde cardiovascular

A ESC – Sociedade Europeia de Cardiologia divulgou os dados de um estudo apresentado durante o congresso Heart Failure 2022, decorrido de 21 a 24 de maio, que vem mostrar como os riscos do consumo de álcool, associado a problemas cardíacos, podem ser maiores do que aqueles que foram considerados até aos dias de hoje.

A autora do estudo, Bethany Wong, do Hospital Universitário de St. Vincent’s, Dublin, afirma que os utentes devem limitar “o seu consumo semanal a menos de uma garrafa de vinho ou a menos de três latas e meia de 500 ml de 4,5% de cerveja”, estes dados estão patentes no abstract intitulado “Moderate alcohol consumption is associated with progression of left ventricular dysfunction in a European stage B heart failure population”, apresentado no congresso europeu de insuficiência cardíaca.

Este trabalho trata-se de uma subanálise do ensaio clínico STOP-HF trial, que contou uma amostra de 744 adultos, com mais de 40 anos de idade em risco de desenvolver insuficiência cardíaca devido a fatores de risco, como tensão alta, diabetes, obesidade, ou com insuficiência cardíaca.

A idade média era de 66,5 anos e 53% eram mulheres. O estudo excluiu doentes que não ingerissem álcool e que sofressem de insuficiência cardíaca com sintomas, por exemplo, falta de ar, cansaço, capacidade reduzida para fazer exercício, ou tornozelos inchados. A função cardíaca foi medida com ecocardiografia na linha de base e acompanhamento.

Na amostra recolhida, 201 (27%) doentes não registaram consumo de álcool, enquanto 356 (48%) eram considerados “utilizadores baixos” e 187 (25%) tinham um “consumo moderado ou elevado”.

Os investigadores analisaram a associação entre o consumo de álcool e a saúde cardíaca ao longo de 5,4 anos. Os resultados levaram à classificação de dois grupos: pré-insuficiência cardíaca e risco elevado.

No grupo de risco elevado, o agravamento da saúde cardíaca foi definido como a progressão para a insuficiência cardíaca pré-cardíaca ou para a insuficiência cardíaca sintomática.

Por sua vez, para o grupo de pré-insuficiência cardíaca, o agravamento da saúde cardíaca foi definido como deterioração das funções de aperto ou relaxamento do coração ou progressão para a insuficiência cardíaca sintomática.

As análises foram ajustadas para fatores que podem afetar a estrutura cardíaca, incluindo idade, sexo, obesidade, tensão arterial elevada, diabetes, e doença vascular.

A conclusão é de que mais de 70 gramas de álcool por semana está associado ao agravamento da insuficiência cardíaca. Bethany Wong, autora do estudo, clarifica que “na Irlanda, por exemplo, os doentes em risco de insuficiência cardíaca ou com insuficiência cardíaca são aconselhados a restringir a ingestão semanal de álcool a 11 unidades para as mulheres e 17 unidades para os homens. Este limite para os homens é mais do dobro da quantidade que consideramos ser segura”.

“É necessária mais investigação nas populações europeias [onde o consumo de álcool é mais elevado] para alinhar os resultados e reduzir as mensagens mistas que os clínicos, pacientes e o público estão atualmente a receber”, acrescenta.

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