Atualidade

Ingestão aumentada de sal e doença renal crónica: qual a relação com a doença de pequenos vasos cerebrais?

Publicado no Journal of Stroke and Cerebrovascular Diseases, o artigo “Could salt intake directly affect the cerebral microvasculature in hypertension?” resulta de uma investigação realizada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto com dados de doentes da Unidade de Hipertensão da Unidade Local de Saúde de Matosinhos, cujo objetivo foi avaliar a relação entre a ingestão de sal e marcadores de doença renal crónica (taxa de filtração glomerular estimada e albuminúria) com os marcadores de Doppler transcraniano para doença de pequenos vasos cerebrais em doentes hipertensos.

Neste estudo, “56 doentes hipertensos (57% com diabetes) foram submetidos a monitorização com Doppler transcraniano nas artérias cerebral média e cerebral posterior para avaliação do acoplamento neurovascular (ANV), autorregulação cerebral dinâmica (ARCd) e vasorreatividade ao dióxido de carbono (VRCO2)”. Para a “relação entre os parâmetros renais e os estudos com Doppler transcraniano usou-se o coeficiente de correlação de Pearson e análises de regressão linear”.

Em termos de resultados, não foram observadas “associações entre a ARCd, a VRCO2, o ANV e os testes de função renal”. “No entanto, houve uma associação negativa entre a ingestão diária de sal e a frequência natural durante a estimulação visual, indicativa de aumento da rigidez dos vasos de resistência cerebrais que reagem à ativação cognitiva”, pode ler-se no artigo de Ana Monteiro (Departamento de Neurociências Clínicas e Saúde Mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), de Elsa Azevedo, Pedro Castro, Gilberto Pereira e Carmen Ferreira (Departamento de neurociências clínicas e saúde mental da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto; Departamento de Neurologia do Centro Hospitalar Universitário de São João), bem como de Jorge Polónia (Unidade de Hipertensão da Unidade Local de Saúde de Matosinhos; Departamento de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto) e dois especialistas internacionais da Northwestern University Feinberg School of Medicine (Chicago, EUA).

Assim, os investigadores concluíram que existe “uma associação entre o consumo excessivo de sal e a doença de pequenos vasos cerebrais em doentes hipertensos”, sendo, contudo, necessário mais investigação “para avaliar se a frequência natural pode ser um marcador substituto (surrogate) precoce e não invasivo de disfunção microvascular na hipertensão”.

Segundo os especialistas, “a doença de pequenos vasos cerebrais é uma causa significativa de acidente vascular cerebral (AVC) e demência, bem como de comprometimento da marcha e de quedas em idosos. No entanto, sua fisiopatologia ainda é pouco compreendida e não existem estratégias de tratamento específicas”. Por outro lado, “há evidência crescente do aumento da prevalência de doença cerebrovascular em doentes com doença renal crónica” e, nomeadamente, de AVC, “embora não esteja claro se há uma relação causal ou se isso se deve aos fatores de risco vasculares tradicionais partilhados” por ambas as patologias. Portanto, esta correlação entre cérebro e rim poderá “derivar da doença de pequenos vasos, comum a ambos os órgãos”.

Quanto à elevada ingestão de sal, sabe-se que a mesma leva a “aumento da pressão arterial, especialmente em doentes com doença renal crónica”, com consequente aumento do risco de AVC e morbimortalidade. Mais ainda, estudos anteriores sugeriam um “possível papel contributivo da ingestão de sal no desenvolvimento de doença de pequenos vasos cerebrais”, algo que foi, efetivamente, observado nesta investigação realizada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Leia o artigo na íntegra e conheça todos os pormenores do estudo através do seguinte link: https://bit.ly/3pENCrn.

Patrocínio

Os dados, opiniões e conclusões expressos nesta publicação são da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autores e não representam necessariamente os de Bial, não podendo, em caso algum, ser tomado como expressão das posições de Bial. Bial não se responsabiliza pela atualidade da informação, por quaisquer erros, omissões ou imprecisões.