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Monitorização contínua do ritmo cardíaco e tratamento quando indicado pouco eficaz na prevenção de AVC

A monitorização contínua do ritmo cardíaco, com anticoagulação quando detetada fibrilhação auricular, não previne acidentes vasculares cerebrais nas pessoas em risco. Esta é a conclusão da investigação de um estudo apresentado no Congresso ESC 2021 e publicada no Lancet.

A fibrilhação auricular é a perturbação mais comum do ritmo cardíaco, afetando mais de 33 milhões de pessoas em todo o mundo. A patologia aumenta cinco vezes o risco de acidente vascular cerebral (AVC), mas este risco pode ser reduzido com tratamento anticoagulante. O estudo LOOP foi iniciado porque os doentes com fibrilhação auricular são frequentemente assintomáticos e, por isso, permanecem sem diagnóstico e sem tratamento.

O estudo investigou se a monitorização contínua por eletrocardiograma (ECG) e a anticoagulação subsequente quando detetada fibrilhação auricular, reduziria o risco de acidente vascular cerebral ou embolia arterial sistémica em doentes em risco.

Foram utilizados registos nacionais dinamarqueses para identificar indivíduos da população geral com idade superior a 70 anos ou mais com pelo menos um dos seguintes fatores adicionais de risco de acidente vascular cerebral: hipertensão, diabetes, insuficiência cardíaca ou acidente vascular cerebral anterior. Foram excluídos indivíduos com qualquer historial de fibrilhação auricular, tratados com anticoagulação oral, uma contraindicação à anticoagulação oral, ou um dispositivo eletrónico implantável cardíaco (CIED).

Os participantes foram aleatorizados numa proporção de 1:3 para estar sob monitorização contínua de ECG ou standard of care. Se a fibrilhação auricular com duração superior a seis minutos fosse diagnosticada, os doentes eram aconselhados a iniciar a anticoagulação oral. O grupo tratado com standard of care tinha uma consulta telefónica com uma enfermeira uma vez por ano. O endpoint primário foi o tempo até ao endpoint composto por AVC ou embolia arterial sistémica.

Um total de 6.004 participantes foi randomizado: 1.501 para a monitorização e 4.503 para os standard of care. A idade média era de 74,7 anos e 47,3% eram mulheres. A duração mediana da monitorização foi de 39,3 meses, e o período mediano de acompanhamento foi de 64,5 meses.

Os resultados revelaram que os participantes no grupo de monitorização tinham maior probabilidade de detetar fibrilhação auricular e de iniciar a anticoagulação oral do que os que recebiam standard of care.

A fibrilhação auricular foi diagnosticada em 477 participantes (31,8%) no grupo de monitorização e 550 (12,2%) no grupo de controlo. A anticoagulação oral foi iniciada em 445 participantes (29,7%) no grupo de monitorização e 591 (13,1%) no grupo de controlo. O endpoint primário ocorreu em 318 participantes, incluindo 67 (4,5%) no grupo de monitorização e 251 (5,6%) no grupo de controlo. Não houve diferença significativa entre os dois grupos

A morte cardiovascular ocorreu em 43 participantes (2,9%) no grupo de monitorização contra 157 (3,5%) no grupo de controlo e a morte por qualquer causa ocorreu em 168 participantes (11,2%) no grupo de monitorização contra 507 (11,3%) no grupo de controlo.

O investigador principal, Jesper Hastrup Svendsen do Hospital Universitário de Copenhaga – Rigshospitalet, Dinamarca, esclareceu que “numa população de doentes de alto risco, a fibrilhação auricular foi detetada e tratada com muito mais frequência naqueles que foram submetidos a monitorização por ECG”.

“Encontrámos uma redução não significativa de 20% no risco de AVC que não foi acompanhada por uma redução semelhante na mortalidade cardiovascular. São necessários mais estudos, mas os nossos resultados podem sugerir que nem toda a fibrilhação auricular merece ser rastreada, e nem toda a fibrilhação auricular detetada merece anticoagulação”, frisou.

Para consultar o estudo aceda aqui.