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Níveis elevados de lipoproteína(a) em pessoas com hipertensão poderão ter impacto no risco de doença cardiovascular

De acordo com um estudo publicado recentemente no Hypertension, um Jornal da American Heart Association, níveis elevados de lipoproteína(a) podem estar associados a um risco 18 a 20% maior de doença cardiovascular entre pessoas com hipertensão arterial.

O investigador principal do estudo, Rishi Rikhi, explica que “a hipertensão arterial é um conhecido fator de risco para doenças cardiovasculares (DCV), e que a lipoproteína(a) é um tipo de colesterol “mau” hereditário que pode levar igualmente a DCV”. “Descobrimos que entre as pessoas com hipertensão que nunca sofreram um acidente vascular cerebral (AVC) ou ataque cardíaco antes, a lipoproteína(a) parece aumentar o risco de DCV e o de um evento cardiovascular importante, como o ataque cardíaco ou o AVC”.

Estes novos dados vão ao encontro dos resultados de estudos anteriores que demonstraram que quando uma pessoa tem hipertensão ou dislipidemia, o risco de DCV aumenta substancialmente, e vem colmatar o menor volume de informação sobre o quanto a lipoproteína(a) pode afetar o risco de DCV entre pessoas com hipertensão.

Para este trabalho, os investigadores utilizaram dados de saúde do Multi-Ethnic Study of Atherosclerosis (MESA), um estudo comunitário que se encontra a decorrer nos EUA sobre DCV subclínicas, ou seja, doença que é diagnosticada antes que haja sinais e sintomas clínicos. O estudo MESA teve início no ano 2000 e incluiu sete mil adultos de seis locais diferentes dos EUA que, no momento da inclusão, estavam livres de DCV.

Assim, os investigadores utilizaram dados de 6.674 participantes do MESA que tiveram níveis de lipoproteína(a) e pressão arterial avaliados e para os quais havia dados documentados de eventos de DCV ao longo dos exames de seguimento nos anos 2001, 2003, 2004, 2006, 2010, 2017, e também de entrevistas telefónicas a cada 9 a 12 meses para recolha de dados provisórios sobre novos diagnósticos, procedimentos, internações e óbitos. 

Em termos de resultados globais, 809 dos participantes sofreram um evento de DCV e os níveis de lipoproteína(a) tiveram um efeito no status de hipertensão que foi estatisticamente significativo. Os investigadores, que para avaliarem a potencial correlação entre hipertensão e lipoproteína(a) no desenvolvimento de DCV categorizaram os participantes em grupos, observaram que:

  • Quando comparado ao grupo 1 (baixos níveis de lipoproteína(a) e sem hipertensão), o grupo 2 (níveis mais altos de lipoproteína(a) e sem hipertensão) não apresentou risco aumentado para eventos de DCV;
  • Menos de 10% do grupo 1 (7,7%) e grupo 2 (8%) tiveram eventos de DCV;
  • Os participantes dos grupos 3 e 4, todos com hipertensão, demonstraram um aumento estatisticamente significativo no risco de eventos de DCV quando comparados aos do grupo 1;
  • Aproximadamente 16,2% das pessoas do grupo 3 (níveis de lipoproteína(a) mais baixos e hipertensão) tiveram eventos de DCV e 18,8% dos participantes do grupo 4 (níveis de lipoproteína(a) mais altos e hipertensão) tiveram eventos de DCV.

Segundo Rishi Rikhi, investigador principal do estudo e cardiovascular medicine fellow no Atrium Health Wake Forest Baptist Medical Center (Winston-Salem, Carolina do Norte), percebeu-se que “a quantidade esmagadora de risco cardiovascular nesta população diversa parece ser devido à hipertensão”. “Além disso, indivíduos com hipertensão apresentaram risco cardiovascular ainda maior quando a lipoproteína(a) estava elevada”, acrescentou, concluindo: “O facto de a lipoproteína(a) parecer modificar a relação entre hipertensão e DCV é interessante e sugere interações ou relações importantes para hipertensão, lipoproteína(a) e doenças cardiovasculares, sendo necessária mais investigação sobre este assunto”.

Conheça melhor todos os pormenores deste estudo em https://bit.ly/3VOvfhB.