Investigação

Prevenção de doenças cardiovasculares: estudo demonstra diferenças na abordagem entre mulheres e homens

De acordo com um estudo apresentado no ESC Asia 2022, evento organizado conjuntamente pela European Society of Cardiology (ESC), pela Asian Pacific Society of Cardiology (APSC), e pela Asean Federation of Cardiology (AFC), “as mulheres são aconselhadas a melhorar seu estilo de vida para prevenir doenças cardíacas, enquanto os homens são aconselhados a tomar estatinas”.

Segundo a autora do estudo, Prima Wulandari, especialista da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital (Boston, EUA), “as mulheres são aconselhadas a perder peso, a exercitar-se e a melhorar a sua dieta para evitar doenças cardiovasculares, mas os homens recebem medicamentos para redução de lípidos”, ainda que “as recomendações presentes nas mais recentes guidelines para prevenção de doenças cardiovasculares sejam as mesmas para mulheres e para homens”.

Previamente foram realizados estudos que demonstraram que mulheres com doenças cardiovasculares recebem tratamento menos agressivo em comparação aos homens. Tendo em conta esta informação, o presente estudo teve como objetivo investigar se estas diferenças entre os dois sexos se estendiam à prevenção de doenças cardiovasculares. Para isso, foram utilizados dados da US National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) entre 2017 e 2020.

Dos 8.512 homens e mulheres com idades entre 40 e 79 anos e sem histórico de doença cardiovascular, 2.924 participantes apresentavam risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, de acordo com uma calculadora de risco validada e, portanto, elegível para receber estatinas. Para estes, os investigadores foram calcular a probabilidade de os homens, em comparação com as mulheres, receberem prescrição terapêutica com estatina e receberem conselhos para perder peso, fazer exercício físico, reduzir a ingestão de sal e o consumo de gordura ou calorias.

Após ajuste para idade, risco de doença cardiovascular, índice de massa corporal, frequência cardíaca em repouso, score de depressão e nível educacional, as análises mostraram que os homens eram 20% mais propensos a receber estatinas prescritas, comparativamente às mulheres.

Sobre recomendações relacionadas com o estilo de vida, em comparação com os homens, as mulheres tiveram 27% mais probabilidade de serem aconselhadas a perder peso e 38% mais propensas a receber recomendações de exercícios. Em relação à dieta, as mulheres foram 27% mais aconselhadas do que os homens a reduzir a ingestão de sal e 11% mais frequentemente aconselhadas a reduzir o consumo de gordura ou calorias.

Para Prima Wulandari, este estudo reforça a “necessidade de maior consciencialização entre os profissionais de saúde para garantir que mulheres e homens recebem informações mais atualizadas sobre como manter a saúde do coração”.