Atualidade

Revisão da evidência científica sobre a utilização da AMPA

“AMPA: que informações estamos a perder” é o tema do artigo de revisão publicado na edição julho/agosto 2022 da Revista Portuguesa de Hipertensão e Risco Cardiovascular, por Cátia Machado e Lara Cabrita, internas de formação específica em MGF no ACeS Baixo Vouga, por Ana João Taveira, especialista de MGF, e por Pedro Damião, médico assistente graduado de MGF no ACeS Baixo Vouga. O objetivo deste estudo foi “rever a evidência científica sobre a utilização da auto-medição da pressão arterial em ambulatório (AMPA)”, para “orientar e melhorar a leitura” desta ferramenta, “com a valorização dos seus diferentes parâmetros”.

Tal como explicado pelo grupo no artigo, “a AMPA fornece vários parâmetros com informação crucial para a tomada de decisões, entre os quais: pressão arterial sistólica (PAS), pressão arterial diastólica (PAD), pressão de pulso (PP), frequência cardíaca (FC) e variabilidade da PAS”.

Assim, após uma “pesquisa bibliográfica de artigos originais, revisões sistemáticas e meta-análises publicadas entre 1995 e 2020 nas bases de dados: Pubmed® e Google Scholar®”, o grupo selecionou 15 artigos, “atendendo à sua relevância e aos objetivos do estudo”, e verificou “a existência de validação científica dos diferentes parâmetros como preditores de eventos cardiovasculares futuros, sendo que a maioria da literatura existente baseia-se em medições da PA obtidas pela MAPA ou em consultório e pouca utiliza as medições da AMPA”.

“Sobre a AMPA, valores de PAS e PAD mostram grande relação com eventos CV futuros, contudo os da PP e da variabilidade são ainda pouco estudados”, afirmam, referindo igualmente que “a PP, a PAD e a PAS obtidas pela AMPA, foram já fortemente correlacionadas com hipertrofia ventricular esquerda, sendo este um fator de risco cardiovascular independente”.

Mais ainda, “a variabilidade tensional obtida pela AMPA foi também alvo de estudos na previsão de eventos CV, com uma grande relação com acidentes vasculares cerebrais”. Porém, de acordo com a análise do grupo, “esta relação com eventos cardíacos e outros eventos CV ainda não foi estabelecida”.

Desta forma, a principal conclusão desta revisão é que “não existe evidência clínica suficiente sobre a utilização e valorização de parâmetros como a PP, FC e a variabilidade da PAS, obtidos em AMPA, como preditores de eventos CV futuros”. No entanto, o grupo defende que, “com a crescente utilização e evidência da AMPA, perspetiva-se que venha a ser considerado um método com grande potencial de informação a ser aplicado na prática clínica do dia a dia”.

Consulte o artigo na íntegra em https://bit.ly/3QP4IPk e saiba mais sobre a relevância da AMPA no diagnóstico e controlo da hipertensão arterial.

Patrocínio

Os dados, opiniões e conclusões expressos nesta publicação são da exclusiva responsabilidade do(s) seu(s) autores e não representam necessariamente os de Bial, não podendo, em caso algum, ser tomado como expressão das posições de Bial. Bial não se responsabiliza pela atualidade da informação, por quaisquer erros, omissões ou imprecisões.