Luís Bronze: “Expectativas elevadas” para o congresso que dá destaque à hipertensão arterial

Luís Bronze, presidente do 17.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global destaca a hipertensão arterial como uma pandemia, tendo em conta “os números avassaladores de adultos, entre os 18 e os 80 anos, hipertensos”, sendo esta uma condição afetada pela idade e pela genética. O evento decorre de 9 a 12 de fevereiro no Grande Real Santa Eulália, no Algarve. Dada a pertinência do tema, as expectativas revelam-se elevadas quanto ao “número de simpósios, stands da indústria e número de convidados”.

Este é um congresso pensado para abranger profissionais da Cardiologia ou da Medicina Interna, mas a grande maioria serão da Medicina Geral e Familiar (MGF). No que concerne aos temas, Luís Bronze refere que os inquéritos realizados “servem para as pessoas abordarem os seus temas e, por isso, existem alguns que se repetem e outros que são novidade”. Começando pelo diagnóstico, “as grandes novidades são os aparelhos que avaliam a pressão arterial sem manga de pressão, isto é, aparelhos eletrónicos que avaliam a pressão arterial sem a tradicional manga”, a cargo do especialista Michel Burnier.

Em relação à terapêutica, a atenção prende-se ao movimento iniciado pelo espanhol Ramón C Hermida, intitulado de TIME, que afirma que não há benefício em medir a pressão arterial e que a medicação para a pressão arterial deve ser tomada à noite, fazendo disso um axioma”, algo que no entender de Luís Bronze “é um tema polémico” com vista a ser discutido no congresso.

“O ponto da situação da obesidade em Portugal” será o tema da conferência de encerramento. “Nos últimos anos, alguns autores, e eu sou um deles, consideram, por haver uma relação direta da hipertensão e da obesidade, que as pessoas que têm hipertensão e são obesas, que têm hipertensão e que a hipertensão é secundária à obesidade. E por isso, este ano, temos também, o presidente da sociedade portuguesa de obesidade, e damos muita importância à obesidade…eu, em termos clínicos, desconfio sempre quando alguém é obeso e não é hipertenso, isto porque têm uma relação direta.”

À semelhança de outras edições, também este ano haverá sessões organizadas em conjunto com especialistas de outros países, tais como o simpósio Luso-Brasileiro e o simpósio Luso-Húngaro. No caso Luso-Brasileiro “existem ligações políticas, militares e, em termos pessoais, a língua é a mesma, portanto, essa conexão é muito íntima entre os dois povos”. “Do mesmo molde que alguém que temos alguém da SPH que vai ao Brasil, também vêm do Brasil até às nossas atividades”.

No caso da relação Luso-Húngara, “prende-se com a semelhança de padrões, sobretudo, no que concerne à semelhança da taxa de envelhecimento”. Além disso, “tudo passou para relação pessoal entre os vários presidentes das Sociedades, e a relação tem-se mantido. Nesse sentido, “nós vamos fazer um simpósio lá e eles vão fazer um simpósio cá”. “A relação manteve-se porque é mutuamente benéfica em termos das sociedades europeias, o que é uma aliança em que ambas se potenciam. Digamos que cada sociedade usa a outra como uma porta, também, para a europa.”

Além dos temas relacionados com a hipertensão, nomeadamente desde a infância à velhice, existem outros com “grande evolução” e que, por isso, merecem o devido destaque, tais como a diabetes ou a disfunção erétil.

O 17.º Congresso Português de Hipertensão e Risco Cardiovascular Global decorre entre os dias 10 e 13 de fevereiro de 2023 no Grande Real Santa Eulália, no Algarve.

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