O tratamento da apneia do sono protege o seu coração!

Paula Pinto e Joaquim Mota, da Associação Portuguesa do Sono (APS), falam da relação entre a síndrome de apneia do sono (SAOS) e as doenças cardiovasculares. Explicam, ainda, as abordagens terapêuticas existentes. 

A privação crónica de sono e os distúrbios do sono são muito prevalentes nas sociedades modernas e associam-se a um aumento significativo da morbilidade e mortalidade. As consequências de um sono insuficiente e/ou de uma má qualidade de sono repercutem-se ao nível da saúde em geral, a nível cardiovascular, metabólico, mental e imunológico.

Existe um aumento de 10 a 12% no risco de mortalidade associado a um sono de duração igual ou inferior a 6 horas.

A síndrome de apneia do sono (SAOS) é uma situação caracterizada por paragens respiratórias que se repetem várias vezes ao longo da noite e que originam diminuição dos níveis de oxigénio no sangue e despertares. Estes levam a uma má qualidade do sono, que se pode traduzir em hipersonolência durante o dia, podendo o doente adormecer com facilidade mesmo a conduzir ou no local de trabalho. Por outro lado, a redução dos níveis noturnos de oxigénio no sangue pode levar a um aumento do risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, como hipertensão arterial, enfarte, arritmias, insuficiência cardíaca, doença cerebrovascular e diabetes e tem sido apontada como responsável pelo aumento da mortalidade observada nestes doentes.

A SAOS aumenta também o risco de morbilidade e mortalidade associada à COVID-19, sendo os fatores de risco para uma maior mortalidade partilhados com a SAOS, nomeadamente a idade, a obesidade, a hipertensão arterial, as doenças cardiovasculares e diabetes.

Os doentes com síndrome de apneia obstrutiva do sono são frequentemente obesos, com um ressonar muito intenso, com pausas respiratórias visualizadas durante o sono, sensação de sono não reparador, alterações de concentração, atenção e memória, diminuição da líbido, nomeadamente disfunção erétil nos homens e hipersonolência durante as atividades diárias.

Quando existe a suspeita desta situação, o doente deverá ser encaminhado para uma consulta especializada de sono, para que seja efetuado o diagnóstico de apneia do sono, através de um estudo do sono que se denomina polissonografia e que é um exame não doloroso, consistindo numa monitorização do sono realizada durante a noite por técnicos especializados e que permite avaliar a gravidade da patologia, para que o médico escolha o tratamento mais adequado. Em determinados casos, este exame pode ser realizado no domicílio do doente, através de um equipamento portátil, sendo analisado posteriormente no laboratório do sono.

A abordagem terapêutica passa pela investigação da etiologia da SAOS, pelo estabelecimento da gravidade clínica e pela elaboração de um plano terapêutico individualizado adequado.

Todos os doentes com SAOS devem ser sujeitos a medidas terapêuticas gerais, assentando na adoção de medidas que visam combater eventuais fatores de risco potenciadores da SAOS, nomeadamente perda ponderal, prática de exercício físico, evicção de álcool e sedativos e tratamento de doenças associadas, como por exemplo hipotiroidismo.

O CPAP é no momento atual a terapêutica de maior eficácia comprovada. Consiste na aplicação duma pressão positiva contínua na via aérea superior, funcionando como uma almofada pneumática que impede o colapso de regiões vulneráveis da via aérea superior. Desta forma, com o CPAP a pessoa respira normalmente durante a noite, permitindo um sono reparador levando ao desaparecimento das alterações neuropsicológicas, nomeadamente das perturbações do humor, concentração e memória bem como da hipersonolência diurna e diminuindo grandemente o risco de doenças cardiovasculares.

O doente deve ser submetido a um programa de ensino relativamente à patologia, os seus riscos e os benefícios do tratamento para promoção de uma boa adesão ao CPAP. O avanço da tecnologia destes equipamentos, bem como o acompanhamento regular por parte das empresas de cuidados domiciliários têm também contribuído para a melhoria da adesão, fundamental para a eficácia terapêutica.

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