Manuel Teixeira Veríssimo: Inovações e otimização do tratamento da dislipidemia

A otimização do tratamento da dislipidemia é um dos temas centrais do primeiro congresso virtual imersivo da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA).

Em conversa com o Jornal Médico, à margem dos trabalhos do segundo dia do evento, o presidente da SPA, Manuel Teixeira Veríssimo, salientou os tópicos mais relevantes do XXVIII Congresso Português de Aterosclerose, bem como as vantagens acrescidas deste novo formato digital.

A decorrer de 12 a 16 de outubro, o congresso conta com vários palestrantes das áreas da Cardiologia e Medicina Interna, entre outras, para um debate em torno das doenças do foro vascular crónico e da terapêutica mais adequada para as doenças ateroscleróticas, entre as quais se destaca a dislipidemia.

“Selecionámos com bastante cuidado todos os temas a abordar, sendo que tivemos ainda atenção em selecionar aqueles que melhor se adaptavam ao momento que vivemos. Há vários temas importantes, como é o caso das dislipidemias na população pediátrica, abordado no primeiro dia pelo presidente da International Atherosclerosis Society (IAS), Raul Santos”, referiu Teixeira Veríssimo.

“Este é um tema muito importante e ao qual, por vezes, não é dada a devida atenção. Isso acontece, pois, normalmente estes problemas de saúde não surgem em tão tenra idade, mas é aí que eles podem iniciar-se, podendo evoluir para problemas de saúde mais graves passados 20, 30 ou 50 anos”, sublinhou o especialista.

“Este ano temos novidades para apresentar, nomeadamente terapêuticas, sobre alguns fármacos indicados no tratamento do colesterol. No fundo, novos conhecimentos acerca da doença aterosclerótica, com o intuito de impedir que a doença progrida”, acrescentou o internista.

O formato digital – adotado devido à situação pandémica – está a ser considerado uma mais-valia para o evento pois, para além de facilitar a visualização dos conteúdos em diferido, possibilitou ainda um aumento do número de participantes. O XXVIII Congresso Português de Aterosclerose tem mil inscritos na plataforma.

“Penso que o congresso está a ter uma ótima adesão, até com mais inscritos do que era habitual, no formato presencial. Considero que o formato virtual facilita a participação, pois as pessoas estão em casa e podem aceder às palestras e mesas-redondas quando lhes é mais oportuno”, Teixeira Veríssimo.

Quanto à futura realização de eventos, o presidente da SPA afirmou: “Acredito que mesmo depois da pandemia, a comunicação da saúde em geral, e dos congressos em particular, passará por um modelo misto de sessões presenciais, com sessões de transmissão virtual, pois também os promotores/patrocinadores, nomeadamente a indústria farmacêutica terão, neste modelo, maior probabilidade de fazer chegar as suas mensagens”.

Manuel Teixeira Veríssimo deixou ainda uma mensagem de alerta a todos os participantes e à comunidade em geral: “A doença aterosclerótica é prevalente e está na base da principal causa de morte em Portugal. A melhor arma para a combater é a prevenção”.

O congresso está a decorrer até sexta-feira, 16 de outubro, em formato digital.

XXVIII Congresso Português de Aterosclerose: Cinco dias de trabalhos em formato virtual imersivo

A Sociedade Portuguesa de Aterosclerose (SPA) organiza, entre os próximos dias 12 e 16 de outubro, o XXVIII Congresso Português de Aterosclerose, com o mote “Pontos de viragem na rota do tratamento”.

Devido à pandemia de Covid-19, o evento magno da SPA realiza-se, este ano, em formato digital, uma experiência que o especialista em Medicina Interna e Cardiologia e membro do conselho científico da SPA, Alberto Mello e Silva, reconheceu ao Jornal Médico ser “diferente” e exigir da parte da organização “um esforço acrescido”. Tudo para que o congresso possa, como habitualmente, ser um espaço privilegiado de troca de experiências entre os clínicos, especialistas e profissionais de saúde que nele participam, bem como uma fonte de atualização sobre as mais recentes novidades na área.

O também presidente do XXVIII Congresso Português de Aterosclerose explica que “à ‘natureza polifatorial e multidisciplinar’ da doença aterosclerótica, a SPA estruturou-se com um conceito integrador para ultrapassar as fronteiras científicas dispersas por várias Sociedades Científicas, propondo à comunidade dedicada ao doente com aterosclerose que se reúna, de 12 a 16 de outubro, no formato de congresso virtual imersivo, pensado para ser o mais familiar possível à nossa experiência de congresso físico”.

O habitual modelo de sessões magnas, palestras, mesas redondas, simpósios será mantido e “o debate será, porventura, ainda mais rico e interessante, pois as novas ferramentas digitais permitem-nos uma interação rápida e assertiva, nas nossas sessões em direto, e em deferido”, adianta Alberto Mello e Silva, salientando que “nada do conhecimento que iremos partilhar, se irá perder”.

O XXVIII Congresso Português de Aterosclerose vai realizar-se com a colaboração da Sociedade Europeia de Aterosclerose (EAS) e da Sociedade Internacional de Aterosclerose (IAS), representadas pelos respetivos presidentes. “Esta colaboração é um elemento enriquecedor a que se junta o contributo de sociedades científicas e associações nacionais parceiras nesta luta em prol do doente com aterosclerose para uma ação concertada da SPA na prevenção e tratamento da aterosclerose e outras doenças e condições associadas, e que se reflete nas temáticas escolhidas para este congresso”, conclui o especialista.

 

Impacto da doença aterosclerótica em destaque no 37.º Encontro de MGF

A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) vai promover, no âmbito do 37.º Encontro Nacional de MGF, uma sessão online sobre “Custos e Carga da Doença Aterosclerótica”.

Agendada para as 16h30 do próximo dia 26 de setembro, a sessão será moderada pelo presidente da APMGF, Rui Nogueira, sendo que a apresentação principal ficará a cargo do professor da Catolica Lisbon School of Business and Economics, Miguel Gouveia. No final, haverá um espaço de comentário da responsabilidade do presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), Luís Pisco, e do diretor do Centro de Investigação de Medicina Baseada na Evidência (CEMBE) da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, António Vaz Carneiro.

A conferência terá por base o estudo “Custo e Carga da Aterosclerose em Portugal”, uma iniciativa do CEMBE, do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica e da Sociedade Portuguesa de Aterosclerose, que contou com a colaboração da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, a qual permitiu o acesso ao registo de dados clínicos de adultos com pelo menos uma consulta em cuidados de saúde primários (CSP) no ano de 2016.

“Este estudo teve como objetivos medir e avaliar o impacto da aterosclerose ao nível dos recursos económicos que lhe são afetos bem como quantificar, num índice global (anos de vida ajustados pela incapacidade), os efeitos da aterosclerose na saúde da população portuguesa”, explica Miguel Gouveia.

Estima-se que as diferentes manifestações clínicas da aterosclerose afetem cerca de 740 mil adultos em Portugal Continental. Em 2016 ocorreram 15.123 óbitos por aterosclerose (6.887 por doença cardíaca isquémica, 7.592 por doença vascular cerebral isquémica, 25 por doença arterial periférica e 619 por aterosclerose noutros territórios arteriais), o que corresponde a 14% dos óbitos totais ocorridos em Portugal.

Ainda de acordo com o economista, “o custo global da aterosclerose em 2016 foi estimado em cerca de 1,9 mil milhões de euros. Deste total, 16% resulta de cuidados prestados no contexto dos CSP (consultas e meios complementares de diagnóstico), 16% no ambulatório hospitalar, 10% no internamento, 16% em medicamentos (prescritos em qualquer contexto de saúde) e os restantes 42% por custos indiretos (perda de produtividade por não participação no mercado de trabalho ou absentismo). O custo total atribuído à aterosclerose representou cerca de 1% do PIB e 11% das despesas de saúde em 2016 para Portugal”.

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