Manuel Rodrigues Pereira: “O risco cardiovascular é um dos fatores mais importantes a controlar na pessoa com diabetes”

A propósito do 4.º Congresso Nacional da APDP, realizado nos dias 17 e 18 de novembro, no Centro Ismaili de Lisboa, Manuel Rodrigues Pereira, especialista em Medicina Geral e Familiar e membro da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, dinamizou dois momentos: “Diabetes e cancro – causa ou consequência?” e “Diabetes e COVID-19” e palestrante do momento “O melhor do risco cardiovascular”. O especialista salienta a importância de uma boa saúde cardiovascular em qualquer doente, mas, em particular, nos doentes com diabetes, já que neste grupo tem uma importância acrescida. Assista à entrevista.

No doente com diabetes é importante “não só, controlar metabolicamente a doença, ou seja, as glicémias, mas também prestar atenção a outros fatores colaterais que muitas vezes podem correr o risco de serem esquecidos, nomeadamente o controlo da pressão arterial, o controlo do perfil lipídico e o colesterol”, salienta Manuel Rodrigues Pereira.

O especialista destaca ainda a falta de literacia da população, em geral, acerca da “importância de controlar os fatores de risco cardiovascular, que não passam apenas pela doença, em si mesma”. Uma forma de controlar passa pela utilização de Estatinas, já que “está mais do que provado que conferem a proteção cardiovascular, qualidade de vida e, portanto, são algo perfeitamente natural de utilizar”, garante o especialista.

Tecnologia: pessoas com diabetes podem melhorar perceção de risco de dcv

No Dia Mundial do Coração, que se assinala a 29 de setembro, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) lembra que as tecnologias de saúde podem ajudar a melhorar a perceção das pessoas com diabetes sobre os riscos das doenças cardiovasculares (dcv), referindo que esses riscos duplicam em pessoas com diabetes mellitus, em comparação à população não diabética.

Por esse motivo, a APDP junta-se à World Heart Federation que, este ano, celebra o Dia Mundial do Coração com a campanha #UseHeartToConnect. O objetivo é incentivar as pessoas com dcv a conectarem-se e monitorizar a sua saúde cardiovascular, recorrendo à tecnologia.

“A doença cardiovascular é responsável por uma redução significativa, quer na qualidade de vida, quer na esperança de vida. Nunca é demais frisar a importância do investimento no controlo dos fatores de risco cardiovascular. Para que isso aconteça de forma mais sistemática, precisamos de melhorar o acesso das pessoas ao conhecimento e à perceção do risco”, defende o cardiologista da APDP, Pedro Matos, realçando a importância das tecnologias de saúde.

“É preciso aproveitar o poder da saúde digital para colmatar a discrepância entre o conhecimento científico e a realidade quotidiana, melhorar o controlo das doenças e a adesão à terapêutica na expectativa de que, no futuro, haja um impacto significativo na redução dos eventos cardiovasculares”, justifica.

Na mesma linha, o presidente da APDP José Manuel Boavida lembra que “a diabetes é um fator de risco” para as dcv (enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, entre outras) e é, também, “a sua principal consequência e causa de morte”. Acrescenta que a maioria dos adultos com diabetes tipo 2 “tem alto ou muito alto risco” de desenvolver uma doença cardiovascular, “principalmente a partir da meia-idade”. Em média, “a diabetes tipo 2 dobra o risco” de dcv e reduz a esperança de vida “em quatro a seis anos”.

A doença cardiovascular continua a ser causa de morte número um no mundo, resultando em 18,6 milhões de óbitos por ano.

Colesterol LDL: Um novo indicador no seguimento dos diabéticos?

A interna de Medicina Geral e Familiar (MGF) Joana Vasconcelos Pinto sustenta, com base em evidência, a pertinência de introduzir o colesterol LDL como indicador de qualidade de seguimento nos doentes diabéticos nos cuidados de saúde primários, a par da HbA1c.

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