Estudo da FPC mostra que metade dos doentes cardíacos tem mais medo da Covid-19 do que da doença cardíaca

Metade do doentes cardíacos portugueses (48%) revela ter mais receio da pandemia de SARS-CoV-2, do que de um agravamento do seu estado clínico, sendo esta uma situação que os coloca em risco devido à secundarização da doença cardíaca.Esta é uma das conclusões do estudo Doentes cardíacos crónicos e a Covid-19, que será apresentado hoje, 29 de setembro, pelas 21h, nas redes sociais da Fundação Portuguesa de Cardiologia [FPC], no âmbito do Dia Mundial do Coração.

O estudo foi realizado pela GfK Metris e teve como base uma amostra de 1.000 indivíduos com doença cardíaca crónica, com idade igual ou superior a 18 anos, residentes em Portugal Continental.

Segundo o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia, Manuel Carrageta, “Este estudo vem provar o que já sabíamos, ou seja, que a pandemia teve e continua a ter um impacto real no acompanhamento clínico dos doentes cardíacos. Verificámos que quase metade dos doentes têm mais medo do vírus SARS-CoV-2 do que de um descontrolo da sua doença cardíaca e esta atitude é preocupante, uma vez que pode levar os doentes a não priorizarem a sua doença crónica, com evidentes perigos para a sua saúde”.

“Numa altura em que o número de novos casos diários de Covid-19 continua elevado, é preciso reforçar junto dos doentes cardíacos que a sua doença deve ser prioritária e devem, por isso, continuar a realizar todos os atos médicos agendados e a recorrer aos cuidados de saúde sempre que necessário”, acrescenta o presidente.

O mesmo inquérito mostrou ainda que um terço dos doentes que sentiram um agravamento da sua doença não recorreram a cuidados de saúde, com metade destes a referirem especificamente o receio da pandemia, e 18% não realizaram um ato médico que tinham marcado devido a cancelamento ou adiamento ou por receio da pandemia.

Com este estudo, a FPC pretendia avaliar o impacto da pandemia de Covid-19 nos doentes cardíacos crónicos, avaliando as limitações no acesso aos cuidados de saúde, os motivos que levaram os doentes a não recorrer aos hospitais e centros de saúde, o impacto da pandemia nas rotinas e comportamentos e a recetividade em relação a uma vacina contra a Covid-19 e à adoção de consultas por telemedicina.

Este ano, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Coração, a Fundação Portuguesa de Cardiologia promoveu ainda, pela primeira vez, a Quinzena do Coração com a partilha, ao longo de 15 dias, de um conjunto de vídeos para sensibilizar toda a população para diversas temáticas associadas à prevenção cardiovascular.

Fundação Portuguesa de Cardiologia reforça importância de cuidar do coração em tempo de pandemia

A propósito do Dia Mundial do Coração – efeméride assinalada anualmente a 29 de setembro –, a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) vai promover a Quinzena do Coração, uma campanha sob o mote “Use o coração para prevenir as doenças cardiovasculares” que consistirá em múltiplas iniciativas a nível nacional.

O objetivo é sensibilizar a população para a importância de cuidar do coração, um ato que assume uma importância ainda maior numa altura em que o mundo enfrenta uma pandemia.

“Os sistemas de saúde, os profissionais de saúde e a população têm vivido tempos muito difíceis e é muito importante continuarmos a promover iniciativas capazes de consciencializar cada vez mais a população para a importância de cuidarmos dos nossos corações. A Covid-19 é responsável por várias complicações graves nos doentes cardiovasculares, como é o caso das miocardites, arritmias, tromboembolismo e enfartes do miocárdio. Sabemos também que estes doentes têm um maior risco de morte no caso de infeção por Covid-19, pelo que a Fundação Portuguesa de Cardiologia quer fazer a diferença e diminuir o impacto desta pandemia neste grupo de risco”, sublinha o presidente da FPC, Manuel Carrageta.

Ao longo de 15 dias, e no âmbito desta campanha, a FPC vai partilhar nas suas redes sociais um conjunto de vídeos que abordam as mais variadas temáticas, desde a importância da atividade física em seniores e nos jovens até à alimentação saudável, passando pela hipertensão arterial ou o suporte básico de vida, entre outros.

Alguns destes vídeos, contam com a colaboração da Federação de Ginástica de Portugal e da Federação Portuguesa de Atletismo. Quem também se vai juntar à FPC nesta Quinzena do Coração são os chefs Justa Nobre e Chakall que darão o seu contributo em vídeo com a partilha de receitas saudáveis.

A Fundação Portuguesa de Cardiologia vai ainda promover um webinar, no dia 29 de setembro, pelas 18h30, dedicado à temática “Doentes cardíacos e Covid-19”.

Ainda no dia 29 de setembro, a FPC – em parceria com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e a Câmara Municipal de Peniche – assinalam a efeméride com um conjunto de atividades associadas à promoção da atividade física.

O mote da Quinzena do Coração segue a linha proposta pela World Heart Federation para comemorar a efeméride em 2020. De acordo com esta entidade internacional, “vivemos atualmente tempos sem precedentes, nos quais sistemas de saúde e profissionais de saúde foram desafiados ao limite, sendo agora mais importante do que nunca que a população tenha um papel fundamental e cuide do seu coração e dos seus familiares e amigos, consciencializando todos à sua volta para a importância deste gesto”.

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