Clínicos devem ser agentes ativos na mudança de hábitos de prevenção das DCV

Sal, falta de atividade física e obesidade, são uma tríade de peso para aumento do risco de doenças cardiovasculares (DCV), nomeadamente a hipertensão. Pelo que o 16.º Congresso Português de Hipertensão dedicou uma mesa redonda a estes três fatores, sob moderação de Helena Febra, da Unidade de Saúde Familiar de São Julião.

Quanto às abordagens preventivas na HTA, a especialista de Medicina Geral e Familiar (MGF), considera que o desafio passa pela mudança de hábitos e estilos de vida. Uma atitude que deve ser incentivada pelos especialistas de MGF, Cardiologia e Endocrinologia, comentou a moderadora à margem do evento.

No entanto, as recomendações dos clínicos devem ser apoiadas com políticas que favoreçam a manutenção destas mudanças positivas. Para tal, Helena Febra apela à criação de medidas políticas, legais e sociais, tão diversas como a correta rotulagem dos alimentos; a aprovação de fármacos dirigidos à obesidade; a criação de zonas de prática de atividade física, bem como a sua prescrição, e o acompanhamento de equipas multidisciplinares em centros de saúde e hospitais.

Ana Teresa Timóteo: Controlo adequado dos fatores de risco continua a ser a principal arma contra a DCV

“De uma maneira geral, e ao longo dos anos, o Dia Mundial do Coração tem sido, por excelência, um momento de oportunidade para a prevenção de doenças cardiovasculares (DCV) e para a promoção de um estilo de vida saudável”.

Quem o diz é a secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Ana Teresa Timóteo, a propósito da efeméride comemorada a 29 de setembro, no âmbito da qual a SPC promove um conjunto de atividades, onde se incluem rastreios ao colesterol.

Em entrevista ao Jornal Médico, a cardiologista do Hospital de Santa Marta/Centro Hospitalar de Lisboa Central salienta que o controlo dos fatores de risco como a hipertensão arterial (HTA) e o colesterol continua a ser a principal forma de combater as DCV, que permanecem como a principal causa de morte em Portugal.

De acordo com a também professora da NOVA Medical School, “a obesidade é um dos fatores de risco para DVC que tem vindo a aumentar, nos últimos anos”. Já o tabagismo “tem vindo a diminuir globalmente, embora nas mulheres tenha aumentado”.  No que ao colesterol diz respeito, a especialista refere que, à semelhança da HTA, “o controlo está longe de ser o adequado, existindo ainda um longo caminho nesse sentido”.

Face ao atual contexto de pandemia, Ana Teresa Timóteo considera que “obviamente que a partir do momento em que a acessibilidade das pessoas aos serviços de saúde foi reduzida, é expetável que o controlo dos fatores de risco esteja mais comprometido”.

Por outro lado, sublinha, “o facto de as pessoas terem estado em confinamento também diminuiu os níveis de atividade física, entre outros fatores de risco, o que poderá eventualmente resultar num aumento de problemas relacionados com a prevenção cardiovascular”.

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