Um dia com a Cardiologia

A 2.ª edição das Jornadas Formativas “Um dia com a Cardiologia”, a realizar-se em formato online a 26 e 27 de novembro, vão promover a partilha de conhecimentos e experiências, através da formação contínua na abordagem da patologia cardiovascular nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), em articulação com os cuidados especializados de Cardiologia. Jornadas estas que têm como público-alvo especialistas, seja em Medicina Interna ou Medicina Geral e Familiar (MGF).

Organizadas pelo Núcleo de Internos e Orientadores de Formação da Unidade de Saúde Familiar Nascente (NIOF da USFNS) do ACeS de Gondomar em colaboração com o serviço da Cardiologia do Centro Hospitalar e Universitário do Porto (CHUP), estas Jornadas Formativas centram-se nos temas da insuficiência cardíaca e da fibrilhação auricular.

Os interessados podem submeter trabalhos até 1 de novembro, que serão avaliados pela especialista em MGF Liliana Teixeira e pelos especialistas em Cardiologia Filomena Oliveira e Paula Teixeira.

Webinar da AADIC centrado nas perspetivas da Insuficiência Cardíaca (2021-2022)

A Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC) promove, a 28 de setembro, a partir das 21h00, a sessão online “Insuficiência Cardíaca: Perspetivas 2021-2022”. Com transmissão exclusiva via Facebook e site da AADIC, o evento conta com a presença de Lino Gonçalves, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Nuno Lousada, membro do Conselho de Administração da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) e de Luís Filipe Pereira, presidente da AADIC. A moderação cabe a Maria José Rebocho, cardiologista e membro do conselho técnico-científico da AADIC.

A curto prazo “vão ser retomados alguns projetos que a SPC não conseguiu concretizar por causa da pandemia, como (…) o Porthos, um estudo de grande dimensão que pretende avaliar a prevalência real e caracterizar clinicamente a insuficiência cardíaca em Portugal”, esclarece, em comunicado, o presidente da SPC, assinalando que a estratégia é “aumentar a literacia em saúde na população mais jovem”, num quadro de prioridades em que releva, igualmente, “o reforço do [nosso] Centro Nacional de Coleção de Dados em Cardiologia”.

Nas palavras de Nuno Lousada, sublinha-se a insuficiência cardíaca como “doença que ameaça a vida das pessoas, com uma taxa de sobrevivência que continua baixa e (…) uma prevalência a aumentar (em consequência do aumento da esperança de vida devido a melhores cuidados médicos e sanitários)”.

“A terapêutica atual, com melhores medicamentos e aparelhos, tem melhorado a sobrevida e a qualidade de vida dos doentes, mas implica a toma de um número significativo de medicamentos e de cuidados específicos para manter a eficácia de diversos equipamentos implantados”, explica o administrador da FPC.

No final deste webinar, os doentes e cuidadores na assistência, serão convidados a partilhar dúvidas e pontos de vista com os oradores.

Investigadores alertam para fragilidade em doentes com insuficiência cardíaca

Um estudo realizado no Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) e na Faculdade de Medicina, da Universidade do Porto, demonstrou que 57,4% das pessoas que sofrem de insuficiência cardíaca apresentam pré-fragilidade e 15,4% já têm fragilidade.

A fragilidade caracteriza-se pela existência de três, ou mais, dos seguintes critérios: fraqueza muscular; lentidão; perda de peso não intencional; diminuição da atividade física; e exaustão. Já a pré-fragilidade existe na presença de um ou dois dos referidos critérios. Na fragilidade o critério mais comum é a exaustão (90%), seguindo-se a baixa atividade física (81%).

Ao analisarem os fatores associados à fragilidade nestes doentes, os investigadores concluíram que “a massa muscular é o preditor mais importante de evolução para este fenótipo”.

Assim sendo, a equipa entende que a massa muscular deve ser tida em conta quando são delineados planos de intervenção, no sentido de monitorizar os doentes, inclusivamente os mais novos, e, eventualmente, de reverter a fragilidade.

“Cerca de 8,1% % dos doentes com insuficiência cardíaca e fragilidade — uma condição classicamente geriátrica – têm abaixo dos 65 anos de idade”, salienta o investigador do CINTESIS e primeiro autor do estudo, o Prof. Doutor Rui Valdiviesso.

Ao todo, a investigação incluiu 136 participantes seguidos num hospital universitário português, com idades compreendidas entre os 24 e os 81 anos (59 anos em média), sendo que as mulheres representavam 33,8%.

O exercício na insuficiência cardíaca

Sofia Santos, fisioterapeuta da Unidade de Reabilitação Cardíaca do Hospital de Santa Cruz – Centro Hospitalar Lisboa Ocidental (CHLO), aborda a importância do exercício físico, durante o tratamento da insuficiência cardíaca.

“Menos cansaço no dia-a-dia”, “fortalecer os músculos e o coração” e “melhorar a função respiratória”, são algumas expectativas de doentes com insuficiência cardíaca, ao iniciar o Programa de Reabilitação Cardíaca.

De acordo com as guidelines da “European Society of Cardiology” a reabilitação cardíaca é recomendada com o maior nível de evidência científica para o tratamento da insuficiência cardíaca, o que justifica um aumento das necessidades de referenciação, em prol da melhoria da condição clínica do doente.

Ao longo das 3 fases da reabilitação cardíaca (I- Hospitalar, II- Ambulatória, III- Comunidade) o exercício é incorporado, respeitando a condição clínica de cada utente e recolhendo de forma evolutiva dados de avaliação, essenciais para a caracterização da gravidade da insuficiência cardíaca e para o estabelecimento da dose de exercício recomendada. Desta avaliação, destaca-se a Prova de Esforço Cardiorrespiratória (PECR VO2) para aferir os limiares, que permitem precisar o intervalo da frequência cardíaca de treino e permitir a segurança durante o exercício.

Após avaliação médica, ajuste da medicação correta e estabilização do sistema cardiovascular o doente fica apto para a prática segura de exercício físico, inicialmente com supervisão do fisioterapeuta.

A limitação funcional dos doentes com insuficiência cardíaca, tem origem na deficiente capacidade de o coração aumentar o seu output para os músculos durante o exercício e consequentemente, na capacidade de estes utilizarem o oxigénio de forma adequada. Este fator, associado a atrofia muscular geralmente apresentada conduz à diminuição da tolerância ao esforço, a um maior dispêndio de energia ao cansaço, descoordenação respiratória/dispneia e fadiga.

A prescrição de exercício de acordo com o FITT (frequência, intensidade, tempo, duração e tipo de exercício) possibilita a melhoria da resistência nas atividades do dia a dia através do treino aeróbio e o aumento da força muscular através do treino de força. Ambas as componentes são essenciais, para promoverem a melhoria dos sintomas nas atividades físicas e no exercício físico estruturado. Existem inúmeros protocolos de treino, mas o mais importante é adaptar o exercício a cada doente e progredir conforme a sua tolerância. Ao mesmo tempo, a coordenação, o equilíbrio e a flexibilidade são componentes integrantes do exercício e permitem aumentar a sobrevida.

É fundamental que as expectativas e os objetivos dos utentes com insuficiência cardíaca sejam avaliados, por forma a encontrar a melhor estratégia de alcançá-los. Só assim, poderão ter uma melhor funcionalidade e consequentemente, uma melhor qualidade de vida.

Ao conseguirem ser autónomos e gerir níveis adequados de atividade física e de prática de exercício, é fundamental encontrarem uma rotina aprazível, que assegure a manutenção dos benefícios ganhos e a efetividade das aprendizagens rumo a um estilo de vida saudável.

Investigação portuguesa alerta para fragilidade em doentes com insuficiência cardíaca

Um grupo de investigadores do Porto identificou uma elevada prevalência de pré-fragilidade e de fragilidade nos doentes com insuficiência cardíaca, inclusivamente nos mais novos.

Realizado no CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, um estudo concluiu que 57,4% das pessoas que sofre de insuficiência cardíaca apresenta pré-fragilidade e 15,4% já têm fragilidade. Este tópico tem como critério mais comum associado a exaustão (90%), seguido da baixa atividade física (81%).

O investigador do CINTESIS e primeiro autor do estudo, Rui Valdiviesso, chama a atenção para as idades precoces concretizando que 8,1% dos doentes com insuficiência cardíaca e fragilidade – “uma condição classicamente geriátrica” – tem menos de 65 anos.

A fragilidade caracteriza-se pela existência de três ou mais dos seguintes critérios: fraqueza muscular, lentidão, perda de peso não intencional, diminuição da atividade física e exaustão. A pré-fragilidade existe na presença de um ou dois dos referidos critérios.

Ao analisarem os fatores associados à fragilidade nestes doentes, os investigadores concluíram que “a massa muscular é o preditor mais importante de evolução para este fenótipo”.

A equipa entende, por isso, que a massa muscular deve ser tida em conta quando são delineados planos de intervenção, no sentido de monitorizar os doentes, inclusivamente os mais novos, e, eventualmente, de reverter a fragilidade.

Ao todo, o estudo incluiu 136 participantes seguidos num hospital universitário português, com idades entre os 24 e os 81 anos (59 anos em média), com as mulheres a representar 33,8%.

A coautoria deste trabalho, já publicado na revista científica Nutrition, Metabolism & Cardiovascular Diseases, envolve, além de Rui Valdiviesso, Luís Azevedo, Emília Moreira, Rosário Ataíde, Sónia Martins, Lia Fernandes e José Silva Cardoso, investigadores do CINTESIS e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com a orientação de Nuno Borges, do CINTESIS/Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP).

Insuficiência cardíaca associada a desenvolvimento de cancro

Um estudo envolvendo mais de 200.000 indivíduos descobriu que doentes com  têm maior probabilidade de desenvolver cancro em comparação com seus pares sem insuficiência cardíaca. A pesquisa foi apresentada no Heart Failure 2021, um congresso científico online da European Society of Cardiology (ESC), e publicada na ESC Heart Failure, um jornal da ESC.

No entanto, as descobertas sugerem que os doentes com insuficiência cardíaca podem beneficiar das medidas de prevenção do cancro.

A insuficiência cardíaca afeta cerca de 65 milhões de pessoas em todo o mundo. (3) Alguns doentes com cancro desenvolvem insuficiência cardíaca como consequência do tratamento do cancro. (4) Mais recentemente, também emergiu que doentes com insuficiência cardíaca podem ter uma incidência elevada de cancro durante o curso de suas doenças cardíacas, mas a maioria dos estudos tem sido pequena. (5-8) 

O estudo atual investigou, através de modelos estatísticos, a associação entre a insuficiência cardíaca e a incidência de cancros em uma grande coorte ao longo de 10 anos. O estudo usou informações do banco de dados Disease Analyzer, de um total de 100.124 doentes com insuficiência cardíaca e 100.124 indivíduos sem insuficiência cardíaca. Os indivíduos foram comparados entre os dois grupos por sexo, idade, obesidade, diabetes e frequência de consulta. 

 Foram encontradas associações relevantes entre a insuficiência cardíaca e todos os tipos de cancro avaliados, mas as mais significativas foram encontradas para o cancro de lábio, cavidade oral e faringe, (com hazard ratio= 2,10), seguido por cancro de órgãos respiratórios (com um hazard ratio= 1,91). 

“Estes resultados permitem especular que pode haver uma relação causal entre a insuficiência cardíaca e um aumento da taxa de cancro. Isso é biologicamente plausível, pois há evidências experimentais de que fatores secretados pela insuficiência cardíaca podem estimular o crescimento do tumor. Porém, este foi um estudo observacional, logo os resultados não permitem inferir uma relação causal entre a insuficiência cardíaca e o cancro”, disse o autor, Dr. Mark Luedde, da Christian-Albrechts-University of Kiel e Cardiology Joint Practice Bremerhaven, Alemanha. “

Acrescentou: “Embora a insuficiência cardíaca e o cancro compartilhem fatores de risco comuns, como obesidade e diabetes, estes foram considerados na análise comparativa. No entanto, é relevante notar o banco de dados não inclui informações sobre tabagismo, consumo de álcool ou atividade física, portanto, não foi possível compará-los na análise. ”

O Dr. Luedde concluiu: “É uma prática comum os doentes oncológicos tratados com medicamentos com efeitos deletérios ao coração serem monitorizados quanto à insuficiência cardíaca. Por outro lado, há cada vez mais evidências a sugerir que os doentes com insuficiência cardíaca podem beneficiar da monitorização intensiva do desenvolvimento do cancro – por exemplo, por meio de exames complementares de diagnóstico.

Considerando a alta incidência de ambas as doenças e seu impacto na vida das pessoas afetadas, esses doentes merecem o máximo esforço conjunto de cardiologistas e oncologistas. 

SPC promove 5ª edição do Curso de Atualização em Medicina Cardiovascular

A 5.ª edição do Curso de Atualização em Medicina Cardiovascular 2021, organizado em parceria com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), vai decorrer nos próximos dias 26 e 27 de fevereiro, e 5 e 6 de março. Este ano o foco do curso é a insuficiência cardíaca e conta com sete módulos que versam sobre a relação com o doente, prevenção e tratamentos de doenças cardíacas.

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