Intern Challenges: abordagem terapêutica das dislipemias em doentes de alto e de muito alto risco cardiovascular

O Intern Challenges, evento de caráter formativo na área dos lípidos, organizado por Bial, que decorreu em formato virtual, teve como palestrantes convidados na sessão “Casos clínicos: e quando os doentes estão à nossa frente?” José Pedro Antunes, especialista em Medicina Geral e Familiar da USF Arte Nova, ACES Baixo Vouga, e Rui Macedo, da USF MaxiSaúde, ACES Cávado I. Nesta sessão foram apresentados e discutidos diversos casos clínicos adaptados da prática clínica, particularmente no que respeita à abordagem terapêutica das dislipidemias.

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Nuno Bettencourt e as JAC2021: A fatia mais importante da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da MGF

A “fatia mais importante ” da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da “mãe” de todas as especialidades, a Medicina Geral e Familiar. É assim que, em entrevista ao Jornal Médico, Nuno Bettencourt, coorganizador das Jornadas de Actualização Cardiológica para Medicina Geral e Familiar (JAC2021) contextualiza o evento, cuja 32.ª edição decorreu de 13 a 15 de janeiro. 

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual a importância da jornadas no contexto do diagnóstico da Doença Cardiovascular no âmbito da Medicina Geral e Familiar?

Nuno Bettencourt (NB) | As Jornadas de Actualização Cardiológica da Medicina Geral e Familiar já vão na sua 32ª edição e são, desde a sua fundação, um importante espaço de partilha do conhecimento e de troca de experiências. A doença cardiovascular é uma das principais causas de morbilidade e mortalidade do país e agrega várias especialidades, desde a Medicina Geral e Familiar à Cardiologia, passando pela Medicina Interna e mesmo especialidades cirúrgicas. Apesar de serem doenças potencialmente fatais e com grande impacto socioeconómico, têm habitualmente evolução lenta e, são, maioritariamente, associadas a fatores de risco potencialmente modificáveis. Assim, a fatia mais importante da luta contra a doença cardiovascular está nas mãos da especialidade que é a “mãe” de todas as outras: é à Medicina Geral e Familiar que compete o rastreio cardiovascular, identificando fatores de risco modificáveis, agindo sobre eles e diagnosticando doença cardiovascular estabelecida que necessita de orientação subsequente. É nesta articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados especializados hospitalares que as jornadas se inserem. Tem sido um prazer e um privilégio poder fazer parte desta equipa que, ao longo destas últimas décadas, se tem dedicado a minimizar esse potencial “gap” na continuação de cuidados em medicina cardiovascular. Várias gerações têm sabido aproveitar as jornadas para melhorarem continuamente a qualidade dos cuidados de saúde que prestamos à nossa população. E a dinâmica única que vemos associada a estas jornadas demonstram bem que, apesar da respeitosa idade, as Jornadas continuam dinâmicas, renovadas e de boa saúde!

 

JM | Quais são as novidades que as jornadas vão trazer em termos de atualização do conhecimento para a Medicina Geral e Familiar?

NB| Na elaboração dos programas de cada nova edição das Jornadas tentamos seguir dois eixos primordiais: 1. ir de encontro ao que é solicitado pelos colegas de medicina geral e familiar nos inquéritos realizados na edição prévia e 2. incidir sobre as novidades e evoluções científicas com potencial impacto prático na clínica quotidiana da medicina geral e familiar. Seguindo estas linhas orientadoras, destaco nesta edição as atualizações em fibrilação auricular e avaliação para a prática desportiva, ambas com novas guidelines publicadas há 4 meses e o estudo da suspeita de doença coronária em idades pediátricas, um tema que vinha sendo solicitado nos últimos inquéritos. Ainda nesta linha de foco dirigido na atualização e em orientações eminentemente práticas, destaco a “Actualização Cardiológica Flash: O essencial de 2020: os estudos que não posso ignorar” – durante a qual o Prof. Francisco Sampaio tentará fazer uma súmula do que mais relevante se passou neste último ano [e com potencial para alterar a nossa prática clínica] – e a nova sessão de “perguntas práticas/respostas rápidas” em que abordaremos de forma simples e objetiva alguns temas com aplicação eminentemente prática.

 

JM | Qual o impacto que a pandemia teve na realização das jornadas?

NB| A pandemia é uma realidade à qual nos fomos tendo de adaptar, ao longo da preparação das JAC2021. Desde cedo nos apercebemos que não poderíamos manter o modelo e o local tradicional das Jornadas porque, mesmo que houvesse uma melhoria das condições sanitárias, não estaríamos em condições de manter a segurança necessária num evento desta dimensão. Ainda assim, durante muito tempo considerámos que poderíamos vir a ser capazes de realizar um evento híbrido com alguma participação presencial no Edifício da Alfândega do Porto e um forte componente virtual. A chegada da segunda vaga nos finais de outubro de 2020, fez-nos perceber que teríamos de optar por um evento totalmente virtual, como acabámos por fazer. Apesar destas dificuldades, estamos orgulhosos em ter conseguido manter estas tradicionais jornadas, nas suas datas habituais, e com a forte adesão mais uma vez registada. Neste momento, com cerca de 1400 inscritos, estamos encaminhados para bater o record de participação das Jornadas. É muito reconfortante, após este ano tão difícil, sentir o interesse dos colegas em participar e em interagir connosco.

 

JM | Como é feita a ligação dos especialistas em Medicina Geral e Familiar com a Doença Cardiovascular?

NB| A abordagem da continuação de cuidados na doença cardiovascular é um dos principais objetivos destas Jornadas. A doença cardiovascular é apenas uma das muitas doenças a que a Medicina Geral e Familiar se dedica, mas é certamente aquela que mais impacto tem no seu quotidiano, ocupando a sua prevenção e tratamento uma parte substancial dos atos médicos realizados em cuidados de saúde primários. Um dos principais fatores de sucesso na prestação de cuidados de saúde nesta área é uma boa articulação entre a Medicina Geral e Familiar e os cuidados especializados hospitalares. É por isso que um bom entendimento entre a especialidade de Medicina Geral e Familiar e a especialidade de cardiologia, usando uma linguagem comum e vias de referenciação bidirecionais práticas e funcionais é tão importante. A pensar nisso, uma das primeiras sessões da edição deste ano das Jornadas, que terá como palestrante a Prof. Cristina Gavina, é dedicada especificamente a esta articulação entre especialidades e à sua otimização, em busca da excelência na continuação de cuidados na área cardiovascular.

 

JM | Outra questão que ache relevante na dinâmica Doença Vascular e Medicina Geral Familiar no contexto das Jornadas

NB|Esta dinâmica “Doença cardiovascular – Medicina Geral e Familiar”, como bem refere, é uma das mais relevantes nos cuidados de saúde primários. Talvez por isso, e por se sentir uma necessidade de formação específica dedicada à MGF, há muito tempo que tem vindo a ser sugerido à nossa organização, a realização de cursos dedicados a temas específicos da área cardiovascular. Estes cursos dedicados permitiriam formações práticas, mas mais aprofundadas do que aquilo que é possível nos 3 dias das Jornadas. Motivados por estas sugestões, criámos este ano o “Programa de actualização e valorização pessoal” dedicado à MGF: Trata-se de um programa de ensino virtual / “e-learning” constituído por módulos independentes, mas complementares, abordando diferentes áreas do conhecimento. Este ano foram lançados os 3 primeiros cursos (1. Electrocardiografia, 2. Hipocoagulação Oral e 3. Dislipidemia), aos quais se irão juntar outros ao longo dos próximos anos. Pretendemos que estes cursos, que foram já submetidos a um processo de certificação europeia venham a funcionar como complemento das Jornadas e que contribuam para uma formação de qualidade e para a valorização profissional dos colegas de MGF em áreas específicas da Medicina Cardiovascular.

 

Congresso Português de Cardiologia 2021 conta com a presença de especialistas internacionais

O Congresso Português de Cardiologia 2021 (CPC 2021) que irá decorrer de 30 de abril a 2 de maio, vai incluir a participação de especialistas internacionais. Nos pormenores da programação revelados até ao momento, constam os nomes de 3 especialista de renome na área da imagem e doença valvular: Robert O. Bonow, Rebecca Hahn e Philippe Pibarot.

Robert O. Bonow é o editor principal da JAMA Cardiology, um dos editores principais do Braunwald’s e relator principal das guidelines americanas de doença valvular continuamente desde 1996.

Rebecca Hahn é atualmente uma das maiores autoridades mundiais em ecocardiografia, sendo a responsável por várias das guidelines da American Society of Echocardiography, do Echo Core Lab da Cardiovascular Research Foundation e investigadora de vários ensaios de referência na área da intervenção percutânea aórtica, mitral e tricúspide.

Philippe Pibarot é um investigador dedicado à patologia valvular aórtica. Foi o seu grupo que descreveu a estenose aórtica paradoxal há cerca de dez anos.  Faz parte da equipa de investigadores dos ensaios PARTNER e investigador principal do ensaio PROGRESSA, que estuda a patogénese da estenose aórtica.

O CPC 2021 vai ser realizado em versão virtual, mas manterá o modelo multidisciplinar das sessões com a participação das diferentes áreas de subespecialização da cardiologia, bem como outras sociedades científicas nacionais, como a medicina interna, intensivismo e a medicina geral e familiar.

 

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