Sociedade Portuguesa de Cardiologia recomenda vacinas da gripe e da pneumonia

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) recomenda a vacinação contra a gripe e a pneumonia a quem tenha doenças cardíacas, devido aos riscos acrescidos que as infeções respiratórias acarretam para estes doentes.

Numa tomada de posição divulgada a 10 de outubro, os Grupos de Estudo de Risco Cardiovascular, Insuficiência Cardíaca (IC), Doenças do Miocárdio e Pericárdio e Hipertensão Pulmonar da SPC lembram que as doenças cardiovasculares (DCV) têm uma expressão mais grave no tempo frio, a que acrescem vírus como o influenza.

“Há evidência, proveniente de várias fontes, que confirmam que as infeções respiratórias pelos vírus da gripe ou por pneumococos aumentam o risco de enfarte agudo do miocárdio (EAM) em mais de seis vezes nos primeiros três dias de evolução e influenciam o prognóstico intra-hospitalar, condicionando mais complicações, maior mortalidade e maior demora média de internamento”, afirmam os especialistas, que aconselham os médicos que seguem estes doentes a recomendarem as vacinas para a gripe e para a pneumonia.

Em comunicado, os responsáveis destes grupos de estudo da SPC sublinham que “na IC, estas infeções geram mais internamentos por descompensação, mais complicações pulmonares e renais que necessitam de tratamentos invasivos e maior mortalidade intra-hospitalar”.

Se é verdade que a gripe geralmente é benigna – sublinham os peritos – “não deixa, contudo, de causar perturbações sérias nas unidades de saúde, com um aumento significativo do afluxo de indivíduos às consultas e urgências, absentismo escolar e laboral, incidência de doenças graves, como as pneumonias bacterianas secundárias e a desestabilização ou desenvolvimento de DCV sérias”.

“Vários organismos e sociedades científicas, mesmo na ausência de ensaios clínicos, recomendam a vacinação para os Influenzavirus A e B e para o Streptococcus pneumoniæ em doentes com patologia cardíaca crónica”, lembram, dando o exemplo da Direção-Geral da Saúde (DGS). Na norma emitida relativamente à vacinação contra a gripe, a DGS considera as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos como um grupo-alvo prioritário a quem recomenda a vacinação (gratuita). Também recomenda a vacinação (adquirida com comparticipação) a doentes com patologia cardiovascular, como a cardiopatia congénita, a cardiopatia hipertensiva, a IC crónica e a cardiopatia isquémica.

Já no que se refere à vacinação relativa à pneumonia, a DGS considera os doentes com doença cardíaca crónica como sendo um grupo de risco acrescido para doença invasiva pneumocócica.

A vacina da gripe deve ser tomada durante o outono/inverno, de preferência até ao final do ano civil. Já a da pneumonia pode ser administrada em qualquer altura do ano.

Na tomada de posição agora divulgada, os especialistas da SPC sublinham que “a efetividade e segurança das vacinas para os Influenzavirus A e B e para o Streptococcus pneumoniæ (…) chancela o benefício clínico da sua utilização” e aconselham os profissionais que seguem estes doentes a recomendarem ambas as vacinas.

Ana Teresa Timóteo: Controlo adequado dos fatores de risco continua a ser a principal arma contra a DCV

“De uma maneira geral, e ao longo dos anos, o Dia Mundial do Coração tem sido, por excelência, um momento de oportunidade para a prevenção de doenças cardiovasculares (DCV) e para a promoção de um estilo de vida saudável”.

Quem o diz é a secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), Ana Teresa Timóteo, a propósito da efeméride comemorada a 29 de setembro, no âmbito da qual a SPC promove um conjunto de atividades, onde se incluem rastreios ao colesterol.

Em entrevista ao Jornal Médico, a cardiologista do Hospital de Santa Marta/Centro Hospitalar de Lisboa Central salienta que o controlo dos fatores de risco como a hipertensão arterial (HTA) e o colesterol continua a ser a principal forma de combater as DCV, que permanecem como a principal causa de morte em Portugal.

De acordo com a também professora da NOVA Medical School, “a obesidade é um dos fatores de risco para DVC que tem vindo a aumentar, nos últimos anos”. Já o tabagismo “tem vindo a diminuir globalmente, embora nas mulheres tenha aumentado”.  No que ao colesterol diz respeito, a especialista refere que, à semelhança da HTA, “o controlo está longe de ser o adequado, existindo ainda um longo caminho nesse sentido”.

Face ao atual contexto de pandemia, Ana Teresa Timóteo considera que “obviamente que a partir do momento em que a acessibilidade das pessoas aos serviços de saúde foi reduzida, é expetável que o controlo dos fatores de risco esteja mais comprometido”.

Por outro lado, sublinha, “o facto de as pessoas terem estado em confinamento também diminuiu os níveis de atividade física, entre outros fatores de risco, o que poderá eventualmente resultar num aumento de problemas relacionados com a prevenção cardiovascular”.

Dia Mundial do Coração: Sociedade Portuguesa de Cardiologia assinala data com rastreios ao colesterol

A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) promove hoje, dia 29 de setembro – por ocasião do Dia Mundial do Coração -, em Alfragide, um rastreio para alertar a população sobre os efeitos nefastos do colesterol, que considera um “inimigo silencioso” da saúde cardiovascular.

Também neste âmbito, e até 4 de outubro, decorrerá uma campanha destinada a transmitir informação sobre os efeitos nefastos do colesterol elevado na saúde cardiovascular, bem como, à realização de rastreios gratuitos através da avaliação dos níveis de colesterol e de outros parâmetros de saúde que podem contribuir para o risco cardiovascular (RCV).

“Sendo o colesterol elevado um dos principais fatores de risco modificáveis nas doenças cardiovasculares, a SPC vai ainda lançar uma campanha digital que contará com a colaboração de influenciadores digitais e divulgar um vídeo de sensibilização” nos cinemas, de 1 a 7 de outubro”, anunciou a sociedade médica.

“Vigiar os níveis de colesterol, a saúde cardiovascular e prevenir estas patologias através da adoção de uma alimentação e estilo de vida saudáveis” são os princípios básicos a observar, acrescentou a mesma fonte.

“Segundo dados do Ministério da Saúde 63,3% dos portugueses entre os 25 e os 74 anos apresentam níveis elevados de colesterol. Em Portugal, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 29,5% das mortes, sendo que o enfarte do miocárdio mata, em média, 12 pessoas por dia. Ter o colesterol muito elevado pode significar estar em risco iminente de sofrer um enfarte do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC)”, pode ler-se no documento da SPC a que o Jornal Médico teve acesso.

Citando dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a SPC alerta que anualmente morrem cerca de 33 mil pessoas devido a doenças cardiovasculares, que continuam a ser a principal causa de morte em Portugal, representando cerca de um terço de todos os óbitos.

Fundação Portuguesa de Cardiologia reforça importância de cuidar do coração em tempo de pandemia

A propósito do Dia Mundial do Coração – efeméride assinalada anualmente a 29 de setembro –, a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) vai promover a Quinzena do Coração, uma campanha sob o mote “Use o coração para prevenir as doenças cardiovasculares” que consistirá em múltiplas iniciativas a nível nacional.

O objetivo é sensibilizar a população para a importância de cuidar do coração, um ato que assume uma importância ainda maior numa altura em que o mundo enfrenta uma pandemia.

“Os sistemas de saúde, os profissionais de saúde e a população têm vivido tempos muito difíceis e é muito importante continuarmos a promover iniciativas capazes de consciencializar cada vez mais a população para a importância de cuidarmos dos nossos corações. A Covid-19 é responsável por várias complicações graves nos doentes cardiovasculares, como é o caso das miocardites, arritmias, tromboembolismo e enfartes do miocárdio. Sabemos também que estes doentes têm um maior risco de morte no caso de infeção por Covid-19, pelo que a Fundação Portuguesa de Cardiologia quer fazer a diferença e diminuir o impacto desta pandemia neste grupo de risco”, sublinha o presidente da FPC, Manuel Carrageta.

Ao longo de 15 dias, e no âmbito desta campanha, a FPC vai partilhar nas suas redes sociais um conjunto de vídeos que abordam as mais variadas temáticas, desde a importância da atividade física em seniores e nos jovens até à alimentação saudável, passando pela hipertensão arterial ou o suporte básico de vida, entre outros.

Alguns destes vídeos, contam com a colaboração da Federação de Ginástica de Portugal e da Federação Portuguesa de Atletismo. Quem também se vai juntar à FPC nesta Quinzena do Coração são os chefs Justa Nobre e Chakall que darão o seu contributo em vídeo com a partilha de receitas saudáveis.

A Fundação Portuguesa de Cardiologia vai ainda promover um webinar, no dia 29 de setembro, pelas 18h30, dedicado à temática “Doentes cardíacos e Covid-19”.

Ainda no dia 29 de setembro, a FPC – em parceria com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e a Câmara Municipal de Peniche – assinalam a efeméride com um conjunto de atividades associadas à promoção da atividade física.

O mote da Quinzena do Coração segue a linha proposta pela World Heart Federation para comemorar a efeméride em 2020. De acordo com esta entidade internacional, “vivemos atualmente tempos sem precedentes, nos quais sistemas de saúde e profissionais de saúde foram desafiados ao limite, sendo agora mais importante do que nunca que a população tenha um papel fundamental e cuide do seu coração e dos seus familiares e amigos, consciencializando todos à sua volta para a importância deste gesto”.

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